Para o Brasil, China é economia de mercado

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Publicado sábado, 13 de novembro de 2004 as 09:45, por: CdB

O Brasil atendeu a uma das principais exigências do governo da China ao reconhecer o país como uma economia de mercado. A decisão facilitou na assinatura de contratos, de acordos de cooperação comercial e de investimentos no setor agropecuário e tecnológico.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o reconhecimento é uma demonstração de confiança de seu governo na relação estratégica com Pequim.

– O Brasil hoje deu uma demonstração de confiança de que nossa relação estratégica é para valer ao reconhecer a China como uma economia de mercado. Mostra uma relação objetiva, séria e prioritária – disse Lula na noite desta sexta-feira, durante encerramento do “Seminário Brasil-China: Conquistas e Desafios na Construção de Uma Parceria Estratégica, realizado no Itamaraty”.

Segundo o presidente chinês, Hu Jintao, o reconhecimento “permitirá uma parceria e facilitará o comércio, além de intensificar a cooperação comercial entre os dois países”.

Os chineses conseguiram o reconhecimento após mais de 20 horas de negociação comercial, que contou com um esforço conjunto das equipes dos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior.

Inicialmente, segundo o ministro Luiz Fernando Furlan, os representantes do governo de Jintao queriam vir ao Brasil apenas para obter o reconhecimento.

– A posição chinesa era uma espécie de samba de uma nota só, estamos vindo aqui para receber o status de economia de mercado e ponto. A nossa posição, dada pelo presidente Lula, era: ou tínhamos um acordo equilibrado ou não teríamos acordo – afirmou Furlan a jornalistas após a declaração conjunta dos dois presidentes, durante a tarde.

A garantia dada pelos chineses é que com o reconhecimento o Brasil passa a ter privilégios no acesso a mercado e a ser considerado “um amigo prioritário” do país, de acordo com o ministro.

Os principais acordos foram fechados na área agrícola para exportação de carne bovina in natura e em miúdos, num comércio estimado em 600 milhões de dólares anuais, e de frango processado e in natura. O Brasil assinou ainda um acordo de importação de frango e carne suína.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que os produtores do setor avícola devem ganhar no ano que vem cerca de 200 milhões de dólares com o comércio bilateral.

O Brasil assinou ainda tratados de cooperação nas áreas aeroespacial, de turismo, de extradição, e de combate ao crime organizado.

Sete contratos entre empresas dos dois países também foram fechados, entre elas Vale, Petrobras, Eletrobras e Cosipar.

A China já é membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas está sob um regime de adaptação. Para deixar esse estágio, a China precisa cumprir um cronograma gradual de abertura de sua economia.

– Ao ser reconhecida como economia de mercado, os outros países não podem mais alegar, por exemplo, que a China fixa preços artificialmente – diz o professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Alberto Pfeifer.

Muitos ainda atribuem o crescimento chinês à alteração “artificial” dos preços de suas matérias-primas, com o intuito de tornar o país mais competitivo no mercado internacional.