Para secretário, Estado deve deixar de “sugar” recursos privados

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 13:35, por: CdB

O secretário de Política Econômica, do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, disse nesta segunda-feira que o governo pretende adotar uma série de medidas para que o Estado deixe de sugar recursos do setor privado e faça um ajuste fiscal de longo prazo, com corte de gastos. Segundo ele, este é um momento de transição para preparar a retomada dos investimentos públicos, principalmente em infra-estrutura e tecnologia, e preparar o País para nova fase de desenvolvimento.

Ele disse ainda que a relação crédito/PIB no Brasil, é uma das mais baixas do mundo, e que o governo está preparando uma série de medidas para a retomada dos investimentos do setor privado, como o projeto de Lei de Falências, em debate no Congresso, e outros mecanismos como de securitização (transformação em títulos no mercado de imóveis) e alienação fiduciária.

“No mercado habitacional a expectativa é de que o sistema financeiro possa promover empréstimos de 20 a 30 anos na compra da casa própria, com spread (margem de ganho da instituição financeira) de dois a três pontos acima dos títulos públicos, como ocorre em outros países”, afirmou.

O secretário de Política Econômica salientou ainda que o Estado precisa deixar de ser um despoupador, para retomar sua capacidade de investimento em infra-estrutura e ciência e tecnologia.

O Brasil tem vantagens na área agrícola assim como investimentos em tecnologia, ressaltou. Segundo Lisboa, a parceria entre as universidades e o setor produtivo é fundamental para se resolver os problemas de tecnologia, da logística, transporte e padrão de qualidade, que são fundamentais para o aumento do comércio internacional e melhoria na credibilidade externa.

Lisboa anunciou que o governo deverá adotar medidas para melhorar a distribuição de renda. “Estudos mostram que o aumento de um ano na escolaridade média, produz um impacto de 6% a 8% na renda permanente de longo prazos das economias e que número semelhantes de melhoria de condições sociais, por exemplo em saúde, reproduz também um aumento na renda, sempre no longo prazo”.