Paraisópolis: Estado se engaja para provocar chacinas, mas não se esforça para investigá-las

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Publicado sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 as 13:47, por: CdB

“Os homicídios são pouco solucionados pelo sistema de justiça e as chacinas, que muitas vezes são cometidas por policiais, também não chegam ao fim que a gente consideraria justo”, afirma coordenador do projeto Reconexão Periferias.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Quando nove jovens são mortos em ação policial, como a realizada no domingo na comunidade de Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, durante um baile funk, fica evidente que “Estado se engaja para provocar mortes por meio de chacinas”, mas “tem um baixo engajamento para a resolução desses crimes”, como afirma o coordenador do projeto Reconexão Periferias, Paulo Ramos, em reportagem do Seu Jornal, da TVT. O massacre em Paraisópolis foi tema de debate em encontro na quinta-feira do projeto ligado à Fundação Perseu Abramo, em São Paulo, que aponta o caso como mais um episódio da violência do Estado nas periferias.

Para coordenador do projeto ligado à Fundação Perseu Abramo, é preciso enfrentar a baixa resolução dos casos de homicídios para punir responsáveis
Para coordenador do projeto ligado à Fundação Perseu Abramo, é preciso enfrentar a baixa resolução dos casos de homicídios para punir responsáveis

– Os homicídios são pouco solucionados pelo sistema de Justiça e as chacinas, que muitas vezes são cometidas por policiais, também não chegam ao fim que a gente consideraria justo – critica o coordenador. “O que se destaca nesse momento é o baixo grau de resolução desses problemas.”

Protestos

O episódio de violência segue sendo investigado. Após protestos da população, o governador João Doria (PSDB) disse nesta quinta que será criada uma comissão externa, formada por membros da sociedade civil, para a acompanhar as apurações sobre o caso. Mas já está evidente para a estudante de Ciências Sociais Sofia Toledo que a polícia atua sobre um marcador social para legitimar essa violência. “Quando se é uma mulher negra, uma pessoa negra, periférica, o seu corpo é constantemente um alvo, então pode ser em um momento de lazer, saindo na rua para ir trabalhar, você indo para a faculdade, a questão é que esse marcador social não é descolado da gente”, explica ao repórter André Gianocari.

Não à toa, a população periférica é a principal vítima da violência policial, além de ser a maioria nos presídios brasileiros. Para a socióloga Juliana Borges, a razão são as falhas no sistema público de segurança que, sob uma lógica de “guerra às drogas”, produz repressão e violência nas bordas da cidade. “Na verdade se traduz em uma guerra contra pessoas, porque a gente não guerreia contra substâncias. E essas pessoas são pessoas periféricas, em sua maioria negras e sem ensino superior”, observa Juliana.

Para a integrante do Fórum de Enfrentamento ao Extermínio da Juventude Malu Viana, essa sociedade só pode ser transformada a partir da fórmula trabalho, lazer e ações culturais. “Esse tripé é ultra, mega, super necessário a partir do qual a gente pode começar a fazer um diagnóstico da realidade”, propõe Malu.

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