Parente pede demissão da Petrobras e bolsa suspende ações da empresa

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Publicado sexta-feira, 1 de junho de 2018 as 12:10, por: CdB

Nas bolsas de valores, as negociações dos papéis da empresa foram suspensas; após a demissão de Pedro Parente. A Petrobras disse que a nomeação de um presidente interino será examinada pelo Conselho de Administração.

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

O agora ex-presidente-executivo da Petrobras Pedro Parente entregou a carta de demissão ao presidente de facto, Michel Temer, na manhã desta sexta-feira. O pedido foi, prontamente, aceito. A empresa divulgou, em fato relevante, a decisão do executivo, tomada em meio a discussões sobre a política de preços da petroleira.

Pedro Parente, atual administrador da Petrobras, segue com seu plano para privatizar a companhia
Pedro Parente não é mais o presidente da Petrobras

Nas bolsas de valores, as negociações dos papéis da empresa foram suspensas. A Petrobras disse que a nomeação de um presidente interino será examinada pelo Conselho de Administração.

“A composição dos demais membros da diretoria executiva da companhia não sofrerá qualquer alteração”, disse a estatal, em nota.

No comando

“Minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente. Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas”, disse o executivo na carta de demissão entregue a Temer.

Parente estava no comando da Petrobras desde 1º de junho de 2016.

As ações preferenciais da Petrobras, que chegaram a subir mais de 3% pela manhã, perderam força após o pedido de demissão e, por volta das 11h50, tinham alta de cerca de 0,5%

Leia, adiante, os principais trechos da carta de Pedro Parente:

Excelentíssimo Senhor
Presidente da República,

Quando Vossa Excelência me estendeu o honroso convite para ser presidente da Petrobras; conversamos longamente sobre a minha visão de como poderia trabalhar para recuperar a empresa, que passava por graves dificuldades; sem aportes de capital do Tesouro, que na ocasião se mencionava ser indispensável e da ordem de dezenas de bilhões de reais.

Vossa Excelência concordou inteiramente com a minha visão e me concedeu a autonomia necessária para levar a cabo tão difícil missão.

Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho. A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas. Os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços.

Planejamento

Faço um julgamento sereno de meu desempenho, e me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue, graças ao trabalho abnegado de um time de executivos, gerentes e o apoio de uma grande parte da força de trabalho da empresa, sempre, repito, com o decidido apoio de seu Conselho.

A Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada; indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos como demonstrado pelo último resultado divulgado; dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura; gerando empregos e riqueza para o nosso país.

Alternativas

E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas.

A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do país desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise. E colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país.

Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel.

À disposição

Tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu. Está claro, Sr. Presidente, que novas discussões serão necessárias. E, diante deste quadro; fica claro que a minha permanência na presidencia da Petrobras deixou de ser positiva; e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente.

Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas.

Sendo assim, por meio desta carta; apresento meu pedido de demissão do cargo de Presidente da Petrobras, em caráter irrevogável e irretratável. Coloco-me à disposição para fazer a transição pelo período necessário; para aquele que vier a me substituir.

Petrobras

Vossa Excelência tem sido impecável na visão de gestão profissional da Petrobras. Permita-me, Sr. Presidente, registrar a minha sugestão de que, para continuar com essa histórica contribuição para a empresa — que foi nesse período gerida sem qualquer interferência política — Vossa Excelência se apoie nas regras corporativas; que tanto foram aperfeiçoadas nesses dois anos. E na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobras.

A poucos brasileiros foi dada a honra de presidir a Petrobras. Tenho plena consciência disso e sou muito grato a que, por um período de dois anos, essa honra única me tenha sido conferida por Vossa Excelência.

Quero finalmente registrar o meu agradecimento ao Conselho de Administração; meus colegas da Diretoria Executiva, minha equipe de apoio direto; os demais gestores da empresa e toda força de trabalho que fazem a Petrobras ser a grande empresa que é; orgulho de todos os brasileiros.

Respeitosamente,

Pedro Parente.

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