Paris e Marselha são declaradas ‘zona de risco’ de coronavírus

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Publicado sexta-feira, 14 de agosto de 2020 as 10:34, por: CdB

Reino Unido vai impor quarentena de 14 dias a partir da madrugada de sábado para quem voltar de férias da França. Medida provoca corrida de turistas às estações de trem, aeroportos e balsas. Preço de passagens dispara.

Por Redação, com DW – de Paris

O chefe do serviço nacional de saúde da França, Jerome Salomon, anunciou nesta sexta-feira que Paris e o departamento de Bouches-du-Rhône (onde fica Marselha, segunda maior cidade do país) foram declaradas como “zonas de risco” por causa do aumento acentuado de infecções por coronavírus nos últimos dias.

França registrou mais de 11 mil casos de covid-19 em uma semana
França registrou mais de 11 mil casos de covid-19 em uma semana

Em entrevista a uma rádio, Salomon alertou que “a situação está se deteriorando semana a semana” no país. Ele diz que os novos surtos estão aparecendo todos os dias por causa de reuniões familiares, festas e outras aglomerações durante as férias de verão. “Os indicadores são ruins, os sinais são preocupantes e a situação está se deteriorando.  O destino da epidemia está em nossas mãos.”

Ao decretar “zona de risco”, as autoridades têm mais poder para impor medidas mais restritivas nas cidades. Ainda não está claro que ações o governo pretende tomar, mas há possibilidade de que restaurantes e bares sejam fechados e que os habitantes sejam proibidos de fazer deslocamentos superiores a 100 quilômetros.

Salomon disse ainda que há “mais e mais pessoas testando positivo, mais e mais pessoas chegando aos hospitais”.  “Precisamos reagir antes de contar novas mortes”, completou.

O Ministério da Saúde francês relatou 2.669 novas infecções na quinta-feira. Com isso, o país contabiliza mais de 11 mil novos casos em uma semana.

Quarentena para quem retornar

Na noite de quinta-feira, diante da deterioração da situação no outro lado do canal, o governo do Reino Unido anunciou que vai impor uma quarentena de 14 dias para quem voltar da França.

No início da pandemia, o Reino Unido impôs inicialmente uma quarentena geral a todos os visitantes que chegavam ao país, mas posteriormente criou “corredores de viagens” que isentavam os viajantes que chegavam de certos países de se isolarem. A medida permitiu que muitos britânicos pudessem viajar ao continente durante as férias de verão.

Mas a quarentena foi aos poucos sendo reintroduzida para viajantes que retornavam da Espanha no final de julho. Além da França, os britânicos também retiraram a Holanda e Malta do seu corredor de viagens nesta sexta-feira.

– Se você chegar ao Reino Unido após as 4h de sábado (horário local) a partir desses destinos, precisará se isolar por 14 dias – escreveu o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, no Twitter.

Jornais britânicos e franceses relataram que o anúncio provocou uma corrida às estações de trem e às balsas que fazem a travessia do Canal da Mancha, com muitos turistas tentando retornar nesta sexta-feira para tentar evitar a quarentena.

A corrida fez com que o preço das passagens dos trens que cruzam o Eurotúnel disparasse nesta sexta-feira. As passagens só de ida mais baratas estavam custando mais de 200 libras (R$ 1,4 mil).

O mesmo tem ocorrido com bilhetes aéreos, com trechos entre Paris e Londres nesta sexta-feira disparando para valores acima de 450 libras. Em contaste, passagens para o sábado estão saindo por 60 libras. O mesmo tem ocorrido com as balsas que fazem a ligação entre Calais, na França, e Dover, no Reino Unido.

O anúncio foi considerado muito repentino por vários britânicos que estão na França, que teriam preferido algo mais gradual. Outros criticaram a política de preços das empresas de transporte.

O governo francês também afirmou que “lamenta” a decisão britânica e que pretende impor “medidas recíprocas”, o que pode impactar na estada dos franceses que estão no Reino Unido.

Desde o início da pandemia, o Reino Unido registrou mais de 315 mil casos de covid-19. É o país europeu com mais mortes pela doença: 46.791. Já a França registrou 244 mil casos e 30.392 mortes.

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