Parlamento declara ‘emergência climática’ na União Europeia 

Arquivado em: Destaque do Dia, Europa, Mundo, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2019 as 11:42, por: CdB

Europa se torna o primeiro continente a adotar medida de caráter simbólico, que visa aumentar a pressão por ações concretas contra o aquecimento global. Texto é aprovado por ampla maioria.

Por Redação, com Reuters – de Genebra

O Parlamento Europeu declarou nesta quinta-feira a “emergência climática” na União Europeia (UE), tornando a Europa o primeiro continente a decretar a medida. O ato é, em grande parte, simbólico, e se destina a aumentar a pressão sobre os agentes públicos por medidas concretas contra as mudanças climáticas.

Prefeito de Veneza culpou mudança do clima pela cheia que levou autoridades a declarar estado de emergência na região
Prefeito de Veneza culpou mudança do clima pela cheia que levou autoridades a declarar estado de emergência na região

A resolução foi aprovada em Estrasburgo por 429 votos a favor e 225 contra, enquanto 19 deputados se abstiveram. Nela, o Parlamento Europeu pede à Comissão Europeia e aos Estados-membros que tomem medidas para aumentar a proteção do clima e se compromete a também fazer o mesmo.

Em uma declaração, os parlamentares europeus pediram que a Comissão Europeia “assegure plenamente que todas as propostas legislativas e orçamentárias relevantes estejam completamente alinhadas” com a meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ºC em relação à era pré-industrial, prevista no Acordo de Paris sobre o clima.

A votação ocorreu a dias da abertura da Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP) em Madri e duas semanas antes de a Comissão Europeia apresentar o primeiro rascunho de seu Acordo Verde Europeu.

A nova presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, cujo mandato começa oficialmente neste domingo, propôs um Acordo Verde Europeu, que visa alcançar a “neutralidade climática” até 2050. A proposta inclui um aumento nos impostos sobre o carbono, investimentos mais pesados em negócios sustentáveis, redução da poluição e maior proteção das florestas, parques nacionais e espaços verdes.

Os legisladores europeus disseram que o bloco deve assumir um papel de liderança na luta internacional contra as mudanças climáticas.

Os gases de efeito estufa

As atuais metas de emissões visam reduzir os gases de efeito estufa da UE em 40% até 2030 em relação aos níveis de 1990. O pacto proposto por von der Leyen visa aumentar os cortes para ao menos 50%. No entanto, Estados como Polônia, Hungria e República Tcheca, que dependem amplamente de combustíveis fósseis, como o carvão, relutam em se comprometer com a neutralidade das emissões de carbono até 2050 e pedem financiamento adicional.

Segundo o Parlamento Europeu, mais de mil unidades administrativas em todo o mundo, Estados, cidades e comunidades, já declararam “emergência climática” por causa das consequências das mudanças climáticas, considerando, assim, prioritária a mitigação do aquecimento global. Em setembro, o Parlamento austríaco aprovou uma resolução similar.

Na Alemanha, a medida foi aprovada por 43 cidades, incluindo Colônia, Leipzig e Wiesbaden. A primeira delas foi Constança, em maio. Algumas administrações implementaram, junto com a declaração de “emergência climática”, medidas amplas de cunho ambiental, como transformação de faixas para automóveis em ciclovias ou aumento dos preços para estacionamento nos centros urbanos.