Parlamento toma posse com esquerda dividida e a direita organizada

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Publicado sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019 as 17:00, por: CdB

A posse marca a maior renovação à Câmara desde a democratização: 52% das cadeiras, segundo cálculo da Secretaria-Geral da Mesa (SGM).

 

Por Redação – de Brasília

 

Em sessão solene, os 513 deputados eleitos e reeleitos em outubro tomaram posse nesta sexta-feira, no Plenário Ulysses Guimarães, da Câmara.  Os parlamentares responderam à chamada individual e fizeram o juramento para a 56ª legislatura da Casa. No juramento, cada deputado federal prometeu “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

Dono da maior bancada na Câmara, o PT promoveu uma manifestação ao assumir o novo mandato
Dono da maior bancada na Câmara, o PT promoveu uma manifestação ao assumir o novo mandato

A sessão de posse foi comandada pelo deputado reeleito Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da legislatura anterior e candidato a mais um período no cargo. A posse marca, ainda, a maior renovação à Câmara desde a democratização: 52% das cadeiras, segundo cálculo da Secretaria-Geral da Mesa (SGM). Em números proporcionais, é a maior renovação desde a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986.

Das 513 cadeiras disponíveis na Casa, 243 foram ocupadas por deputados de primeiro mandato, 251 foram reeleitos e 19 dos eleitos já foram deputados em legislaturas anteriores.

Novos postos

A nova legislatura será marcada por um novo balizamento de forças entre os 30 partidos com representantes eleitos. O PT com bancadas reduzidas em relação à legislatura anterior; e partidos até então com pouca representatividade, como o PSL, com mais espaço na Casa.

O MDB teve a maior perda, saindo de 65 deputados eleitos em 2014 para apenas 34 parlamentares em 2018. O PT, que em 2014 elegeu 69 deputados, perdeu 15 cadeiras na última eleição e terá 54 deputados.

No outro extremo, o PSL, do presidente Jair Bolsonaro, saiu de um deputado eleito em 2014 para 52 deputados em 2018. O estreante Partido Novo, que não tinha representantes eleitos, conquistou 8 vagas no último pleito.

Candidatura

Após a posse, os deputados elegerão o presidente da Casa. Entre os favoritos para o cargo está o presidente na legislatura passada, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar reúne o maior número de legendas em apoio à sua candidatura. Ao todo, 15 siglas anunciaram apoio ao candidato.

Além de Maia, Fábio Ramalho (MDB-MG), JHC (PSB-AL), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) seguem na disputa. Independentemente de seu partido ter oficializado apoio a Rodrigo Maia, General Peternelli (PSL-SP) também anunciou candidatura ao posto de presidente da Casa.

Senado

Ainda nesta tarde, 54 dos 81 senadores iniciaram seus mandatos. A cerimônia de posse, ocorreu às 15h, antes das reuniões em que serão eleitos o novo presidente da Casa e os demais integrantes da Mesa. Dos 54 novos parlamentares, 46 não estavam no Senado no ano anterior, uma renovação histórica, de cerca de 85%.

Depois da posse dos novos senadores, haverá a segunda reunião preparatória, destinada a eleger o novo presidente do Senado. O eleito vai comandar a Casa por dois anos e também presidirá o Congresso Nacional.

A votação para escolha do presidente ocorre logo após a reunião de posse dos senadores. A previsão é que a primeira votação seja realizada por volta das 18h. Na noite passada, oito nomes pleiteavam o posto: Álvaro Dias (Pode-PR), Angelo Coronel (PSD-BA); Davi Alcolumbre (DEM-AP); Espiridião Amim (PP-SC), José Reguffe (sem partido-DF); Major Olimpo (PSL-SP); Renan Calheiros (MDB-AL); Simone Tebet (MDB-MT) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Divisão

Depois de rejeitar o convite para compor o Bloco de Esquerda formado por PT, Rede, PSB e PSOL; o PDT e o PCdoB integram agora um “bloco alternativo de oposição” na Câmara dos Deputados. A decisão foi confirmada pelas lideranças das duas legendas.

O novo bloco, ainda sem nome, terá 37 deputados, sendo 28 do PDT e 9 do PCdoB. Já o outro bloco, chamado de “Unidade Popular”, terá 98 deputados, e direito a duas suplências na Mesa Diretora.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) evitou comentar os motivos que levaram ao partido abandonar a aliança histórica com o PT e buscar uma aliança alternativa na Câmara.

Segundo ela, a decisão foi da direção política do partido e somente quem estaria apto a falar sobre ela seriam a presidenta Luciana Santos e o líder do partido no parlamento, o também deputado Orlando Silva.

— Depois de tomada, a decisão é de todos. Assim funciona o PCdoB, desde 1922 — afirmou Portugal.

Freixo

Já o PT, PSB, PSOL e Rede irão formar um bloco conjunto de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O anúncio foi feito no começo da noite passada.

— É importante dizer que isso é uma vitória da esquerda. Existem pontos em comum entre os partidos, que são comprometidos com a democracia e, portanto, comprometidos com uma oposição ao governo Bolsonaro, e tem a possibilidade de um diálogo intenso com a sociedade na luta contra as medidas deste governo, com independência total desta Casa em relação ao governo — afirmou o deputado federal eleito Marcelo Freixo (Psol-RJ).

A decisão ocorre após algumas semanas de articulação entre as legendas, que vinham dialogando sobre a possibilidade de unir os seus 98 parlamentares em um único grupo de oposição.

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