Patadas internacionais

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2019 as 09:43, por: CdB

O governo que está em Brasília já demonstrou que os passos que tem anunciado na política externa do país não são de brincadeira. Já está claro que se trata de uma postura colonizada, nada altiva. O caso de Israel será fichinha perto do que está por vir.

Por Jaime Sautchuk – de Brasília

A implantação de base militar dos Estados Unidos em território auriverde e a abertura de conflito armado com a vizinha Venezuela são os dois petardos mais alarmantes. Especialmente se lembrarmos que o último confronto bélico que tivemos com a vizinhança foi a Guerra do Paraguai (1.864-1.870), em que morreram perto de 50 mil brasileiros, na maioria negros escravos.

A implantação de base militar dos Estados Unidos em território auriverde e a abertura de conflito armado com a vizinha Venezuela são os dois petardos mais alarmantes

Na terça-feira, o presidente disse ter voltado atrás na questão da base, após ver o nariz torcido de militares, mas deixou cenário mal definido. Afinal, no caso de uma agressão militar conjunta, o solo brasileiro se transformará em base de modo automático, com todas as demais implicações que isso trará.

É certo que, agora, as elites tupiniquins não terão escravos pra escalar como “voluntários da pátria” em lugar de seus filhos. Terão, pois, que achar quem vá pras frentes de batalhas, talvez entre os jagunços e pistoleiros que já vivem na região a serviço de madeireiros, mineradores e ruralistas.
Ademais, leve-se em conta que a fronteira brasileiro-venezuelana é bastante extensa, boa parte na Planície Amazônica, boa parte no Sistema Parima de Serras, onde está o Pico da Neblina. Uma região tomada, de ambos os lados, por áreas indígenas e de preservação geológica e ambiental.

A parte brasileira é, portanto, potencialmente conflitiva, já que o atual governo considera como inimigos os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que lá vivem. A presença militar verde-amarela na região fronteiriça é ínfima, apesar de ter crescido bastante nos últimos anos no estado de Roraima, em função da entrada de refugiados vindos do vizinho país.

A beligerância do governo de Donald Trump com a Venezuela se dá, basicamente, pelo poderio do petróleo e pela posição estratégica do nosso vizinho no Caribe. Ao Brasil, não há motivo nenhum, é subserviência cega ao atual mandatário dos Estados Unidos. Ao contrário, pois Roraima, por exemplo, depende inteiramente da energia elétrica venezuelana, proveniente da hidrelétrica de Guri.

A política externa desse governo não se pauta pela diplomacia e pelas boas relações mundo afora. A escassa presença de chefes de estado e de governos na posse foi um reflexo disso. É uma postura de afinamento unilateral com os EUA de Trump e pronto, parecendo se esquecer que as relações internacionais são feitas de negócios e parcerias.

O novo chanceler, Ernesto Araújo é diplomata de carreira, mas obscuro, católico ultraconservador, tiete de carteirinha do brutamontes ianque, sobre quem não se cansa de tecer elogios em todas as oportunidades que tem, pra vergonha da Casa de Rio Branco.

Jaime Sautchuk, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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