Paulo Guedes atrapalha compra de vacinas e será convocado à CPI da Covid

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 21 de julho de 2021 as 17:47, por: CdB

A presença do “Posto Ipiranga” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos bancos da CPI foi um dos primeiros temas que causou divergência entre a oposição e a tropa de choque bolsonarista na comissão, antes mesmo dela ser instalada, em abril. A blindagem a Guedes, no entanto, tende a ser rompida após o recesso parlamentar.

Por Redação, com RBA – de Brasília

A convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado é considerada líquida e certa por integrantes do grupo majoritário de senadores, a ser definida na volta do recesso legislativo, dentro de duas semanas, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil. Desde que as sessões foram paralisadas, Guedes voltou a ter seu nome envolvido em denúncias sobre ações e omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus.

Ministro da Economia, Paulo Guedes segue no rumo do Chile, que vive uma de suas mais agudas crises sociais
Ministro da Economia, Paulo Guedes atuou, ativamente, para o atraso na compra de vacinas contra a covid-19

A presença do “Posto Ipiranga” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos bancos da CPI foi um dos primeiros temas que causou divergência entre a oposição e a tropa de choque bolsonarista na comissão, antes mesmo dela ser instalada, em abril. A blindagem a Guedes, no entanto, tende a ser rompida após a revelação de novos casos que apontam o papel central do Ministério da Economia no atraso na compra de vacinas e no incentivo à imunidade de rebanho.

Convocação

Nesta terça-feira, em linha com a apuração do CdB, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, disse a jornalistas que é favorável à votação do requerimento de convocação no retorno aos trabalhos da comissão:

— É uma providência natural que a CPI convoque Guedes. A falta de planejamento é, na verdade, uma consequência do agravamento da pandemia no Brasil. É importante convidá-lo para resolver efetivamente o problema do ponto de vista orçamentário — pontuou.

Em abril, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), disse que a convocação “politizaria o debate” e atuou contra a ida do ministro ao banco dos depoentes. No mês seguinte, no entanto, Guedes fez declarações contra a China, principal fornecedor de insumos para fabricação da CoronaVac no Brasil, e Aziz mudou o tom. Disse que o ministro deveria “cuidar da economia, que não está bem” no país e disse que ele seria “puxa-saco americano”.

Anti-Pfizer

À época, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a crise “tem tudo a ver com Guedes. A (a CPI terá também de) apurar a nossa tese de que o governo adotou uma posição de que era mais importante deixar o vírus circular, todo mundo pegar, fazendo com que o governo não tivesse que gastar dinheiro.”

Guedes e sua equipe interferiram, diretamente, na elaboração da Medida Provisória (MP) que tratou da aquisição de vacinas contra a covid-19. De acordo com os documentos enviados à CPI da Covid, vazados para o diário conservador paulistano Folha de S.Paulo na terça-feira, o ministério barrou dispositivo que facilitava a aquisição de imunizantes da Pfizer e Janssen.

A cláusula vetada autorizava a União a assumir eventuais riscos e custos de possíveis efeitos adversos da vacina. Tratava-se de exigência das farmacêuticas para negociar o imunizante em todos os países. A reportagem afirma que tanto Guedes como o presidente Jair Bolsonaro “temiam” a ameaça de processos contra eventuais efeitos colaterais dos imunizantes. O risco de judicialização poderia aumentar o passivo financeiro da União.

Contrato

A MP foi publicada em 6 de janeiro, sem o artigo vetado por Guedes. Foi quando Bolsonaro declarou que o governo não se responsabilizaria, caso quem tomasse o imunizante da Pfizer “virasse jacaré“. A decisão atrasou as negociação com o laboratórios norte-americano em pelo menos 8 meses desde a primeira oferta.

O contrato para a aquisição de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer foi assinado em março. Mas só foi possível após a aprovação de uma lei que repassou à União os riscos relativos à aplicação dos imunizantes. Na sequência, o contrato com a Janssen, para a compra de 38 milhões de doses, também foi firmado.

Em junho, documentos sigilosos do Itamaraty, vazados ao diário conservador paulistano O Estado de São Paulo, revelam que o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, afirmou ter discutido com a pasta de Paulo Guedes a abertura de uma linha de crédito para clínicas privadas adquirirem vacinas no exterior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code