Paulo Guedes está ‘numa sinuca de bico’, avalia economista

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Publicado segunda-feira, 18 de janeiro de 2021 as 16:55, por: CdB

O Brasil vive o caos econômico do coronavírus somado à crise ainda não recuperada de 2014, afirma a economista Juliane Furno, doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. O cenário atual é de “semi estagnação”, avalia a catedrática, diante das perspectivas observadas em pesquisas do Banco Central.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

O falso otimismo de Paulo Guedes apenas normaliza as baixas taxas de crescimento econômico e mantém a fuga de investidores do Brasil. A avaliação é da economista Juliane Furno, crítica das políticas econômicas do governo federal, classificadas como “anticientíficas” e que colocam o país numa “sinuca de bico”, segundo ela.

Guedes conversou com Rodrigo Maia, na tentativa de colocar panos quentes na crise com Bolsonaro
A política econômica do governo, chefiada por Paulo Guedes, tem gerado um número cada vez maior de desempregados

Juliane, que é doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, explica que o Brasil vive o caos econômico do coronavírus somado à crise ainda não recuperada de 2014. Desde então, vivendo sob a política de austeridade fiscal, o país vive abaixo da capacidade da geração de riqueza, no cenário que ela chama de “semi estagnação”.

 “No ano de 2020, o primeiro trimestre já estava em retração econômica, ou seja, era uma mentira de Paulo Guedes que a economia estava decolando antes do coronavírus. No segundo trimestre, foi a grande queda do PIB, com 9,7%, e o terceiro trimestre, cresceu 7,7%. Houve crescimento, mas porque a base de comparação era muito baixa. Estamos abaixo da capacidade da geração de riqueza, com Paulo Guedes normalizando as baixas taxas de crescimento, por conta das políticas equivocadas atuais”, afirmou Juliane à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Sem tração

Na gestão econômica de Guedes, a atividade econômica cresceu 0,59% em novembro, segundo o indicador IBC-Br do Banco Central (BC) divulgado nesta segunda-feira, em ritmo menor do que o observado nos meses anteriores. É a menor variação desde maio, quando a economia começou a se restabelecer depois do tombo causado pela pandemia da covid-19.

Em outubro, a retomada começou a perder tração e o índice teve alta de 0,86%. Em novembro, o crescimento foi ainda menor. No acumulado dos últimos 12 meses, houve queda de 4,15%. No ano, a retração foi de 4,63%. No trimestre terminado em novembro, a economia cresceu 4,36%.

Após o início da pandemia, o fechamento dos comércios e o isolamento social afetaram a economia. Com a reabertura e flexibilização do distanciamento, a atividade segue em recuperação, observada desde maio, mas ainda não foi suficiente para alcançar os patamares registrados antes da crise.

Inatividade

O número mensal foi calculado com ajuste sazonal (que remove particularidades do período, como número de dias úteis) para facilitar a comparação com outros meses. Em março, quando o vírus chegou ao país, houve redução de 5,90% no setor produtivo, já sob efeito do isolamento social.

Com a população em casa, o consumo diminuiu em diversos setores, como transporte e hospedagem, e a atividade econômica despencou. O pior resultado foi registrado em abril, quando a economia caiu 9,73%, nível mais baixo desde outubro de 2006 e maior queda entre um mês e outro em toda a série histórica, iniciada em 2003.

Maio já trouxe resultado positivo em relação a abril, de 1,3%, mas ficou aquém das expectativas do mercado, que eram de 4,5%. O IBC-Br mede a atividade econômica do país e é divulgado desde março de 2010. Ele foi criado para auxiliar em decisões de política monetária, já que não existe outro dado mensal de desempenho do setor produtivo.

O indicador do BC leva em conta o desempenho dos principais setores da economia: indústria, agropecuária e serviços.