Pazuello negocia vacinas superfaturadas e se complica na CPI

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Publicado sexta-feira, 16 de julho de 2021 as 16:23, por: CdB

A justificativa de Pazuello é que se trataria de uma “negociação direta com o governo chinês”, apesar da participação dos intermediários. No entanto, de acordo com a reportagem, na proposta apresentada pela World Brands, cada dose da Coronavac custaria aos cofres públicos US$ 28.

Por Redação – de Brasília

O general Eduardo Pazuello, enquanto estava no Ministério da Saúde, negociou com atravessadores a aquisição de 30 milhões de doses superfaturadas da vacina Coronavac, do laboratório chinês Sinovac. Sem registro na agenda oficial do ministério, Pazuello se reuniu com representantes World Brands, empresa de Santa Catarina especializada em comércio exterior no próprio ministério, no dia 11 de março.

Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello negociou a compara de vacinas superfaturadas

Em vídeo, divulgado pelo diário conservador paulistano Folha de S.Paulo (FSP) nesta sexta-feira, o general anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com os fornecedores. E ainda prometeu celebrar o contrato “no mais curto prazo”.

A justificativa de Pazuello é que se trataria de uma “negociação direta com o governo chinês”, apesar da participação dos intermediários. No entanto, de acordo com a reportagem, na proposta apresentada pela World Brands, cada dose da Coronavac custaria aos cofres públicos US$ 28.

Mentiras explícitas

Trata-se de quase o triplo do valor cobrado pelo Instituto Butantan, que vendeu 100 milhões de doses do imunizante ao ministério da Saúde ao custo de U$ 10 por dose. A Sinovac afirmou, em nota, que ‘APENAS’ (em maiúsculas) o Instituto Butantan pode oferecer a Coronavac no Brasil. O acordo para transferência de tecnologia foi assinado com o Butantan em setembro do ano passado.

Tanto o vídeo da reunião com os representantes da World Brands, bem como a proposta apresentada foram encaminhadas à CPI da Covid. Além da atuação dos intermediários – como ocorreu também no caso da vacina Covaxin, bem como nas negociações com a Davati – e do sobrepreço, a reunião, por si só, desmente o ex-ministro.

 Em depoimento à Comissão, em abril, quando perguntado sobre a falta de interesse do ministério em relação às ofertas de imunizantes apresentadas pela Pfizer, Pazuello chegou a afirmar que “jamais” teria participado diretamente desse tipo de negociação.

— Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o ‘decisor’, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro — disse ele na ocasião.

Élcio Franco

A reunião foi marcada com o gabinete do então secretário-executivo do ministério, Élcio Franco, que recebeu o grupo. Segundo a reportagem, Pazuello foi chamado, ouviu o relato da reunião e fez o vídeo. No entanto, o anúncio da assinatura do memorando de entendimento teria sido gravado antes mesmo do ministro saber do preço ofertado.

O então ministro foi exonerado quatro dias depois, em 15 de março, e a negociação, no entanto, não prosperou. Procurados, Pazuello e Élcio Franco não se manifestaram.

— Enquanto morriam mais de 3 mil pessoas de covid-19 por dia no Brasil, a cúpula do Ministério da Saúde negociava com estelionatários, no golpe da vacina. Se negavam a se reunir com a Pfizer, e se reuniam com (Luiz Paulo) Dominguetti e com a Davati — resumiu o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid.

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