Pequim acusa EUA e Otan de serem responsáveis por invasão russa

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Publicado quarta-feira, 9 de março de 2022 as 12:16, por: CdB

 

Em sua coletiva diária, o representante ainda afirmou que os norte-americanos “precisam levar a sério” seu país “para evitar minar os seus direitos e interesses na gestão da situação na Ucrânia e na ligação com a Rússia”.

Por Redação, com ANSA – de Pequim

O governo da China acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de serem as “responsáveis” pela invasão da Rússia na Ucrânia, em ataque iniciado no dia 24 de fevereiro.

Dinheiro chinês será para ajudar nas ‘necessidades cotidianas’ dos ucranianos

– A questão ucraniana é muito clara. Foram as ações da Otan, guiada pelos EUA, que gradualmente levaram até o conflito Rússia-Ucrânia. Ignorando as próprias responsabilidades, os EUA acusam a China por conta de sua posição sobre o caso e buscam margens de manobra na tentativa de suprimir a China e a Rússia para manter a própria hegemonia – disse um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian.

Em sua coletiva diária, o representante ainda afirmou que os norte-americanos “precisam levar a sério” seu país “para evitar minar os seus direitos e interesses na gestão da situação na Ucrânia e na ligação com a Rússia”.

Zhao ainda acusou Washington de divulgar “informações falsas e calúnias” contra os chineses e os russos, sem especificar do que exatamente estava falando. “Cada vez mais, a comunidade internacional verá claramente os numerosos déficits em sua conta de créditos”, destacou ainda.

Guerra na Ucrânia

O discurso do porta-voz muda a postura chinesa de, desde o início dos conflitos, não se posicionar abertamente sobre a guerra na Ucrânia. Até mesmo nesta terça-feira, o presidente do país, Xi Jinping, mantinha o discurso de “neutralidade” ao dizer que defende “a soberania e a integridade territorial de cada país”, mas que entende a preocupação “com a segurança” da Rússia.

A invasão russa na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, coloca Pequim em uma situação bastante delicada no cenário internacional, já que os russos são grandes parceiros na política externa e na “oposição” aos Estados Unidos em diversos cenários.

Por outro lado, os chineses também vivem situações críticas com grupos de independência em seus territórios, especialmente, em Taiwan e Hong Kong e defender uma invasão seria uma contradição ao seu discurso de soberania das nações constituídas.

Doação para a Ucrânia 

Zhao também anunciou que a China, por meio da Cruz Vermelha local, enviará assistência humanitária para a Ucrânia no valor de 5 milhões de yuans (cerca de R$ 4 milhões).

O montante será usado para “apoiar as necessidades cotidianas” da população ucraniana. Até o momento, de acordo com dados das Nações Unidas, há entre 2,1 e 2,2 milhões de cidadãos do país que precisaram fugir por conta dos ataques feitos pela Rússia.

Mas, grande parte da população de 44 milhões de pessoas ainda permanece no território e há uma grave crise de desabastecimento em muitas cidades do país.

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