O perigoso jogo petista da candidatura Lula

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Publicado sexta-feira, 27 de julho de 2018 as 13:31, por: CdB

Qual o objetivo, qual a estratégia do PT para as próximas eleições?  Criar um caos com a cédula única, provocar a anulação ou a abstenção de 30% dos votos de eleitores petistas e, assim, entregar de mão beijada a presidência da República ao fascista Bolsonaro, a fim de ficar na oposição? Parecendo um avião sem piloto, a direção petista dá a impressão de não saber onde quer chegar desde o processo do impeachment ou tem um objetivo maluco, que poderá levar o partido ao nocaute. (Nota do Editor)

Por Moysés Pinto Neto, de Porto Alegre:

A insanidade petista de não ter um substituto para Lula nas próximas eleições

Infelizmente, vou ter que retomar uma crítica que já está batida por aqui, mas não há como fugir dela. A cada dia, a convicção alastrada no senso comum de que o PT prioriza a si próprio em detrimento do país parece receber maior confirmação.

Já é quase agosto e falta pouco para as eleições, mas o partido se recusa a oferecer outro nome que não Lula para concorrer. Até as pedras sabem que Lula não poderá concorrer, independente da justiça ou injustiça do fato. Não há nenhum indicativo de reversão institucional e muito menos de algum tipo de rebelião popular que obrigaria as instituições a mudar. Não existe nenhum debate racional que não termine numa espécie de vontade de autoimolação com quem defende sua candidatura.

Em vez de propor um novo nome ou apoiar algum candidato existente, o PT prefere esticar a corda até o ponto em que a pulverização dos votos pode inviabilizar alguma força progressista no segundo turno. Lula ano passado fez uma relativamente bem-sucedida caravana e podia, desde então, ter lançado seu ou sua candidata. Já se teria acumulado um ano de pré-campanha. Mas não. Em vez disso, preferiu-se a estratégia suicida de não ter estratégia alguma.

Esse é o momento em que estamos. A cúpula do PT está mais preocupado em preservar a hegemonia eleitoral na esquerda do que viabilizar uma candidatura progressista. Um curto-prazismo tolo, já que depende de um indivíduo em idade avançada e nada mais. Solicitam aliança para um candidato inelegível e preso. Se você não apoia minha estratégia completamente impossível, está a favor do golpe.

O fato de Lula arrastar uma grande quantidade de votos não muda nada. Ao contrário: é bem possível que eles se pulverizem de modo que inviabilizem um progressista no segundo turno porque, não custa repetir diante do estado geral de denegação, Lula não vai concorrer. Não adianta continuar fazendo estimativas em torno de um não-fato.

É diante dessa estratégia psicótica que estamos colocados no momento. Não raro, com uma gigantesca chantagem e quase zero racionalidade.

Moysés Pinto Neto, doutor em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, professor na Faculdade de Direito da Universidade Luterana do Brasil, Porto Alegre.

Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.

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