Período de transição

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Publicado sábado, 30 de junho de 2018 as 17:51, por: CdB

Esse programa, aparentemente idealista, ou se realiza combinada e concomitantemente ou não se constrói a sociedade justa.

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

O período de transição de uma para outra sociedade deve inspirar-se nas possibilidades de materialização mais premente e imediata de uma pauta mínima e formatada a partir de algumas premissas:

Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil
Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil

• Não desvincular as atividade cotidianas de uma estratégia de sociedade em que se resolvam a exploração e a opressão do trabalhador, ser humano digno em toda a sua dimensão;

• Os erros podem produzir acertos ou deles externar o resultado de milionários ensinamentos;

Interesses básicos

No entanto, ainda não se pode descortinar por inteiro o corpo de mudanças do período de transição, deve-se ao menos computar-se a experiência acumulada na demarcação do básico necessário desenhados desde logo:

• Explorado os meios de produção, impõe-se limitadamente planejá-los e controlá-los para atendimento dos interesses básicos dos segmentos da população mais vitimada;

• A democracia não é apenas o direito ao voto, mas seu exercício direto qualificado pelo grau de respeito que a maioria dedica à minoria;

• Uma sociedade democrática deve garantir condições para que as oportunidades sejam iguais para todos;

• Implementar o princípio de que o trabalho deve ser a medida da divisão das rendas;

• As relações com a natureza devem proteger e conservar a vida;

‘Experiência socialista’

• O padrão de consumo deve ser medido pela possibilidade de sua universalização;

• O respeito à pluralidade é a garantia da individualidade;

• A alegria e o prazer, a afetividade e a solidariedade, são alicerces de um novo modo de viver, devolvendo-se ao povo a confiança nas relações inter-pessoais.

Esse programa, aparentemente idealista, ou se realiza combinada e concomitantemente ou não se constrói a sociedade justa, humana e solidária e menos desigual apregoada pelos fundamentos republicanos preconizados pela Carta Constitucional de 1988 em seus primeiros dispositivos.

O capitalismo, principalmente na sua forma atual, ultra-liberal, com predomínio do capital financeiro, nega provisão a esse mínimo indispensável; logo, ao adotá-la, devemos ter clareza do caráter anti-capitalista da sua essência reivindicatória

Por fim, é imperiosa a compreensão de que a “experiência socialista” do Leste da Europa e de outros países não permitiu a construção combinada da satisfação dessas necessidades ou não conseguiu preenchê-las; portanto, a sua derrocada não é a derrota do socialismo.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.