Perplexo, Temer tenta transferir solução da crise ao Congresso

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Publicado quinta-feira, 24 de maio de 2018 as 17:26, por: CdB

O Congresso, no entanto, foi além do debate orçamentário aberto por Temer e decidiu impor um déficit superior a R$ 14 bilhões, até o final do ano, com o corte de impostos no preço do diesel.

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

“Temer, o perplexo, fez renúncia branca, com a admitida passagem da responsabilidade do Executivo para o Legislativo. Não foi melhor nem pior para o país, porque, embora melhor que a omissão, foi mais um avanço na bagunça institucional. Como os anteriores, prenúncio de outros”. A análise é do jornalista Jânio de Freitas, colunista de um dos diários conservadores paulistanos. Resume, portanto, o momento mais frágil do governo Temer, desde o início do golpe de Estado, há dois ano.

O presidente de facto, Michel Temer, prestes a cair; por conta de um locaute fulminante por parte dos caminhoneiros

O Congresso, no entanto, foi além do debate orçamentário e decidiu impor um déficit superior a R$ 14 bilhões, até o final do ano, com o corte de impostos no preço do diesel. Nesta manhã, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), afirmou, no entanto, que não planejava votar, imediatamente, o projeto de lei aprovado, durante a madrugada, pela Câmara dos Deputados.

Maia aprovou a reoneração da folha de pagamentos de alguns setores e retirou o PIS/Cofins sobre o óleo diesel.

Senado

À tarde, assessores de Temer e representantes dos caminhoneiros reuniram-se, na expectativa de “uma trégua”, segundo afirmou o presidente de facto, Michel Temer. O encontro terminou por volta das 16h, sem uma decisão final. O movimento tende a entrar o quinto dia com a paralisação dos transportes, em todo o país.

Sem a votação, os caminhoneiros, que protestam contra a alta nos preços do óleo diesel impõe o caos nos postos de abastecimento de combustíveis.

— Nossa pauta está trancada por causa da chegada de várias medidas provisórias, na véspera, que vieram na última hora, como sempre faz a Câmara. O Senado tem a obrigação constitucional de analisar de acordo com o que determina o regimento — disse Oliveira, a jornalistas.

Diesel

Segundo o presidente do Senado, “é impossível” votar o projeto da reoneração nas próximas horas. A pressão, no entanto, aumenta para que ele conduza uma sessão extraordinária da Casa, ainda na noite desta quinta-feira.

Desde o início da política de reajustes diários dos preços dos derivados de petróleo, em 3 de julho do ano passado, a Petrobras aumentou o preço do óleo diesel em suas refinarias 121 vezes, alta de 56,5%, de acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Em pouco mais de dez meses, o litro do produto passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488.

Nova greve

Os petroleiros da Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), decidiram se unir ao movimento nacional dos caminhoneiros contra o aumento dos combustíveis e, em assembleia realizada no início da manhã desta quinta-feira (24), decidiram paralisar as atividades da unidade por um período de oito horas.

“Os petroleiros não estão lutando por melhores salários, nem por benefícios ou privilégios. Estamos lutando para que o gás de cozinha volte a ter o preço que tinha antes, pela baixa da gasolina, pela baixa do preço do diesel”, disse o coordenador do Sindpetro de Minas Gerais, Anselmo Braga.

Mais 48 horas

Segundo ele, o movimento contra a política de reajustes e de importação pela Petrobras deverá ser estendido às demais refinarias e plataformas da Petrobras em todo o País nos próximos dias.

— É o início de uma greve que está sendo construída nacionalmente que pretende paralisar todas as refinarias do país e as plataformas — afirmou.

Segundo Braga, “as refirmarias estão trabalhando com carga baixa a mando do governo para que os importadores tragam combustível mais caro para o país”.

A greve dos caminhoneiros entra em seu quarto dia e deverá ser estendida até a sexta-feira, segundo a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), entidade que coordena os protestos contra a política de reajustes quase diários dos combustíveis imposta pela Petrobras.

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