Perseguição a Lula alcança até a memória de D. Marisa Letícia

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Publicado segunda-feira, 1 de janeiro de 2018 as 16:35, por: CdB

Em São Paulo, onde Lula ganhou mais de 40% dos eleitores, segundo pesquisas de opinião pública, o prefeito João Doria (PSDB) cancelou a solenidade de inauguração do viaduto Dona Marisa Letícia.

Por Redação – de São Paulo

 

Na tentativa de evitar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorne ao Palácio do Planalto, a direita brasileira tem usado de todos os expedientes. Desde evitar que uma homenagem à ex-primeira-dama Marisa Leticia seja realizada; até apressar o rito de um processo no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-IV).

D. Marisa Letícia foi primeira-dama do Brasil durante os dois mandatos do marido, Luiz Inácio Lula da Silva
D. Marisa Letícia foi primeira-dama do Brasil durante os dois mandatos do marido, Luiz Inácio Lula da Silva

Em São Paulo, onde Lula ganhou mais de 40% dos eleitores, segundo pesquisas de opinião pública, o prefeito João Doria (PSDB) cancelou a solenidade de inauguração do viaduto Dona Marisa Letícia. O ato estava marcado para esta quarta-feira. A homenagem à ex-primeira-dama, morta em fevereiro de 2017, foi um ato do prefeito interino Milton Leite (DEM). Doria também disse que a via na Zona Sul da capital paulista estará aberta ao trânsito nesta terça-feira, antes mesmo de ser inaugurada.

Recorde

Procedimento tão grotesco quanto este, de maior gravidade, no entanto, ocorre no TRF-IV. O Tribunal “acelerou de maneira incomum o julgamento do recurso contra a condenação” de Lula, constatou um levantamento de um dos diários conservadores da capital paulista. Em 2017, segundo o jornal, “apenas dois processos públicos por corrupção foram decididos em menos de 150 dias no TRF-IV. No caso de lavagem de dinheiro, nenhum de mérito foi julgado – foi apenas decidido em um caso que a competência para decisão é da Justiça Federal do Rio Grande do Sul”.

“A velocidade da tramitação levantou questionamentos da defesa de Lula. No último dia 15, o presidente da corte, juiz federal Carlos Eduardo Thompson Flores, rebateu as indagações. Ele juntou uma lista de 1.326 ações julgadas em até 150 dias no tribunal em 2017 — 48,9% do total das decisões criminais. Contudo, entre os 1.263 processos públicos (63 estão em segredo de Justiça) relacionados por Flores, apenas os dois por corrupção — menos de 0,2% — tratam dos mesmos crimes da ação contra o petista, que ainda tem réus como o ex-líder da OAS Léo Pinheiro e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto”, acrescentou.

Ainda assim, o julgamento está marcado para 24 de janeiro. Mas poderá seguir adiante, caso um dos três juízes da turma julgadora pode pedir vista ao processo. Lula foi condenado na primeira instância, pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e seis meses de prisão em julho. O recurso chegou em 42 dias no TRF-IV; outro recorde na Lava Jato, da qual faz parte o procurador Deltan Dallagnol. Este promotor ganhou celebridade por suas declarações polêmicas. Mas, agora, encara o revés.

Dallagnol

Segundo Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, Dallagnol embaraça o Ministério Público.

— Esse rapaz inculto, manipulador; fundamentalista e cheio de ódio não tem nenhuma relação com a condução de fiscal da lei, atinente ao MP — disse Genro. Ele deixou o comentário em sua pagina, em uma rede social.

Para Dallagnol, a prisão de Lula será “uma decorrência natural da condenação em segundo grau”.

— Não vejo razão para distinguir entre Francisco e Chico. A lei vale para todos — concluiu. 

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