Peruanos continuam sem saber ao certo quem é o presidente do país

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Publicado domingo, 20 de junho de 2021 as 19:08, por: CdB

Pedro Castillo (Peru Livre), que venceu as eleições com 50,12%, uma vantagem de 41 mil votos em relação à Keiko Fujimori (Força Popular), que obteve 49,87% da votação, exige que o resultado das urnas seja respeitado.

Por Redação, com BdF – de Lima

O Peru continua vivendo dias de espera e incerteza sobre quem ocupará a presidência do país nos próximos quatro anos. Há duas semanas do segundo turno e cinco dias do fim da apuração, a Justiça Eleitoral ainda não declarou o vencedor, porque permanece avaliando pedidos de anulação de atas eleitorais.

Candidato à Presidência do Peru Pedro Castillo discursa para apoiadores na sede de seu partido em Lima

Pedro Castillo (Peru Livre), que venceu as eleições com 50,12%, uma vantagem de 41 mil votos em relação à Keiko Fujimori (Força Popular), que obteve 49,87% da votação, exige que o resultado das urnas seja respeitado.

Na véspera, simpatizantes dos dois partidos ocuparam as ruas da capital Lima protestando por demandas opostas. Do lado da esquerda, os eleitores de Castillo pedem que a democracia seja respeitada e o professor da educação básica seja declarado novo presidente do Peru. Já os eleitores de Fujimori demandam que novos pedidos de anulação e revisão dos votos sejam aceitos, buscando invalidar a vitória de Pedro Castillo.

Resultado

O Jurado Nacional Eleitoral continua em sessão permanente e ressaltou que nos outros anos a situação não foi diferente. Em 2011 as eleições foram realizadas no dia 5 de junho e o resultado promulgado no dia 23 de junho. Já em 2016, tardaram 23 dias em oficializar o vencedor. A demora se deve principalmente ao fato de que o voto no Peru é impresso.

A polarização da sociedade peruana é evidente. Também no Congresso as maiores bancadas são dos dois partidos que chegaram ao segundo turno: Peru Livre obteve 37 cadeiras e Força Popular elegeu 24 parlamentares.

Nos últimos dias, militares da reserva, que apoiaram o regime de Alberto Fujimori (1990-2000), pai de Keiko, emitiram uma carta convocando as Forças Armadas a tomar o poder para defender o país de uma suposta “ameaça comunista”.

Democracia

O atual chefe de Estado, Francisco Sagasti ressaltou que o papel das Forças Armadas é velar pela Constituição do país e anunciou que será aberta uma investigação contra os militares que assinaram a carta sugerindo um golpe.

— Não deixarei passar nenhuma mentira nem tergiversação das minhas palavras e ações pelos inimigos da democracia. Seguirei no esforço de buscar o melhor para nosso país até o último minuto da minha gestão — declarou o mandatário.

Durante a manifestação convocada pelo partido Peru Livre, a ex-candidata à presidência, Verónika Mendoza também expressou seu apoio à vitória da esquerda.

— Ficaram para trás os tempos de colônia, onde sugeriam que existiam cidadãos de primeira e segunda categoria. Aqui nessa praça vamos recordar que estamos no século XXI, em democracia, todos os cidadãos e votos valem exatamente igual — afirmou a líder do partido Novo Peru, Verónika Mendoza.

Simpatizantes

Os pedidos de revisão de Keiko são direcionados às zonas mais empobrecidas do país, onde Castillo teve ampla maioria de votos.

— Queremos ver a relação de eleitores e não nos digam que não é permitido — declarou Fujimori, incentivando seus simpatizantes ao confronto com o JNE.

Enquanto isso, Castillo inicia uma agenda de chefe de Estado, reunindo-se com ex-candidatos, empresários e com a Associação de Prefeitos do país andino.

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