Pesquisa constata infecção simultânea por duas linhagens da covid-19

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Publicado quinta-feira, 28 de janeiro de 2021 as 12:15, por: CdB

Um estudo feito com pacientes do Rio Grande do Sul constatou que uma pessoa pode ser infectada ao mesmo tempo por diferentes linhagens do novo coronavírus, que causa a covid-19. A pesquisa foi feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Ministério de Ciência e Tecnologia, pela Universidade Feevale e pela Rede Vírus.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro/Brasília

Um estudo feito com pacientes do Rio Grande do Sul constatou que uma pessoa pode ser infectada ao mesmo tempo por diferentes linhagens do novo coronavírus, que causa a covid-19. A pesquisa foi feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Ministério de Ciência e Tecnologia, pela Universidade Feevale e pela Rede Vírus.

Pesquisa é feita com pacientes do Rio Grande do Sul

A constatação foi feita ao analisar amostras de 92 pacientes do Rio Grande do Sul. Pelo menos duas pessoas registraram a chamada coinfecção, ou seja, a infecção simultânea por linhagens diferentes do novo coronavírus. Segundo os pesquisadores, a coinfecção com a variante E484K não havia sido descrita até o momento.

A coinfecção é preocupante

Ainda de acordo com os pesquisadores, a coinfecção é preocupante porque mistura genomas de diferentes linhagens, permitindo recombinações que resultam na evolução do vírus. Apesar disso, os dois pacientes tiveram apenas quadro leve e moderado e estão se recuperando sem necessidade de hospitalização.

Também foi constatada a circulação de cinco linhagens diferentes do vírus no estado, entre eles uma nova, inicialmente denominada de VUI-NP13L. Neste momento, pesquisadores estão estudando essa nova linhagem, o que inclui o isolamento viral e a investigação sobre neutralização ou anticorpos presentes em pacientes infectados e recuperados.

Segundo nota divulgada pelo LNCC, o estudo gera preocupações devido à possibilidade de dispersão dessa linhagem para outros estados e países vizinhos.

Grupos vulneráveis

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nota na quarta-feira em que questiona a posição do governo federal de apoio à compra de lotes de vacinas por empresas para imunização de seus empregados.

A entidade disse ter recebido a manifestação do governo “com surpresa” e que a urgência deste momento na pandemia é a vacinação de todos, razão pela qual a imunização deve “seguir critérios técnicos e não o poder de compra”.

“O Conass defende que esforços sejam dispensados para garantir, o mais rapidamente possível, vacinas para todos. Se a farmacêutica tem 33 milhões de doses disponíveis, por que o governo federal não se dispõe a comprá-las em sua totalidade e, com isso, providenciar a proteção dos que mais precisam?”, questiona a nota.

Os secretários estaduais lembram que o Sistema Único de Saúde é calcado em princípios e um deles é o da universalidade. “Todas as pessoas residentes no país, trabalhadores ou não, têm direito ao acesso ao atendimento público de saúde, o que inclui vacinas. Permitir a vacinação de trabalhadores ligados a um grupo de empresas específicas é romper com este princípio”, pontua a entidade.

Governo federal

Hoje, uma nota de ministérios do Executivo federal abordou o assunto. Segundo o comunicado, o governo “está empenhado em adquirir todos os tipo de vacinas disponíveis e aprovadas pela Anvisa”.

Após ser procurado por empresários, o governo elaborou uma carta em que declarava não ter objeção à compra, desde que houvesse doação de metade para ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde e que a imunização fosse restrita aos funcionários.

Na terça-feira, a AstraZeneca afirmou que não possui doses disponíveis para o mercado privado. A companhia declarou que sua capacidade de produção está sendo negociada com governos.