Pesquisadores descobrem açúcar que pode substituir o glifosato

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Publicado terça-feira, 12 de março de 2019 as 10:26, por: CdB

Pesquisadores alemães identificam molécula de açúcar com efeito semelhante ao do controverso herbicida. De origem natural, substância tem potencial para tornar uso do glifosato desnecessário.

Por Redação, com DW – de Berlim

Pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, descobriram uma substância, de origem natural, que tem os mesmos efeitos do controverso glifosato, o agrotóxico mais usado no Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e que é motivo de controvérsia devido a seus riscos para a saúde e o meio ambiente.

Cianobactérias produzem molécula de açúcar especial

A alternativa natural é uma molécula de açúcar liberada por um tipo de cianobactérias, também chamadas de algas verde-azuladas. O grupo de pesquisadores conduzia estudos apenas para analisar a bactéria e descobriu a molécula de açúcar por acaso.

A cianobactéria em questão, a Synechococcus elongatus, é de água doce e bastante egoísta. Ela excreta o açúcar 7-desoxi-Sedoheptulose (7dSh) para inibir o desenvolvimento de cepas de bactérias concorrentes. A inibição é tão bem-sucedida que os cientistas quiseram saber o que há por trás do mecanismo.

Klaus Brilisauer e seus colegas Stephanie Grond e Karl Forchhammer descobriram que o 7dSh age sobre a mesma via metabólica que o glifosato.

“Ele age sobre outra enzima, mas é a mesma via metabólica, a chamada via do chiquimato”, explicou Brilisauer em entrevista à DW. O efeito é o mesmo: as plantas tratadas com o açúcar têm seu crescimento interrompido.

Por meio da via do chiquimato, plantas e microrganismos produzem importantes aminoácidos. Dado que esse tipo de metabolismo não existe em formas mais avançadas de vida, como humanos e animais, o açúcar é inofensivo para a saúde delas. “Nós tratamos embriões de peixe-zebra com uma dose bem alta sem nenhum efeito negativo”, disse Brilisauer.

A nova substância, entretanto, ainda não pode ser utilizada porque precisa ser testada fora dos laboratórios. Além disso, uma autorização para ser usada como herbicida também está pendente.

– Nós já estamos conversando com parceiros – afirmou Brilisauer. Inicialmente, os parceiros devem testar a substância, e apenas depois um pedido de aprovação de uso como herbicida será submetido. O processo pode levar 18 meses ou mais, mas Brilisauer está otimista.

– Nós esperamos uma boa degradabilidade e baixa ecotoxicidade – afirmou ele. Na prática, porém, justamente a degradabilidade pode arruinar o uso da substância. Se se degradar muito rapidamente em campo, ela não será capaz de desenvolver seu efeito inibidor de ervas daninhas.

Brilisauer não tem receio de que a Bayer, produtora do glifosato, tenha objeção à chegada de uma alternativa natural ao mercado. “No longo prazo, o glifosato vai desaparecer do mercado de toda forma”, afirmou, acrescentando que a Bayer até seria bem-vinda para participar do desenvolvimento da substância. A Universidade de Tübingen já apresentou um pedido de patente.

 

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