Petardo: Olavo, Malafaia e brigas no laranjal

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Publicado quarta-feira, 11 de março de 2020 as 09:38, por: CdB

Ninguém se entende no laranjal de Bolsonaro. Até os mais fanáticos estão em guerra. Na semana passada, o filósofo de orifícios Olavo de Carvalho obrou nas redes sociais que tudo de ruim que ocorre no Brasil vem de “uma ou várias” instituições.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

Ninguém se entende no laranjal de Bolsonaro. Até os mais fanáticos estão em guerra. Na semana passada, o filósofo de orifícios Olavo de Carvalho obrou nas redes sociais que tudo de ruim que ocorre no Brasil vem de “uma ou várias” instituições, e detonou até as aliadas “igrejas evangélicas”.

Ninguém se entende no laranjal de Bolsonaro
Ninguém se entende no laranjal de Bolsonaro

“Não que elas em si sejam necessariamente más, mas quem quer que suba na hierarquia de uma delas acaba tentando usá-la para tirar vantagem e foder com o resto da população”, fuzilou o guru de Bolsonaro, que ainda pregou que a influência das igrejas evangélicas no atual governo deve ser coibida!

Na sua confusão mental, o “astrólogo da Virgínia”, segundo definição do general-vice Hamilton Mourão, detonou as “Forças Armadas, Partido Comunista, Maçonaria, Igreja Católica e Evangélicas” e obrou: “Demolir o prestígio dessas instituições seria tirar de milhões de picaretas a arma do crime”

A diarreia intelectual de Olavo de Carvalho irritou o “ético” Silas Malafaia. Nesse domingo, o “pastor” bolsonarista retrucou: “O que esperar de um idiota? Idiotices… As igrejas causam mal? Ou será que é um idiota que vive escondido em outro país dando palpite?”

Capetão

O “pastor” ainda fez um descarrego no guru do “capetão”. “Eu sou amigo do Bolsonaro. Não nomeei ninguém no governo… Quem é que nomeou gente no governo? Nós ou um astrólogo idiota, que anda falando asneira e trazendo problema ao invés de contribuir para o bem da nação?”

A briga no laranjal não se limita à refrega entre o “pastor” e o guru do “capetão”. No final de fevereiro, o general Décio Brasil foi exonerado do cargo de Secretário Nacional de Esportes. Para o seu lugar foi indicado Marcelo Magalhães, padrinho de casamento de Flávio Bolsonaro.

O general não engoliu a humilhação do capitão. Segundo a Folha, “ex-secretário do Esporte diz acreditar que foi exonerado por ter resistido a atender ao pedido de nomear para o cargo um amigo de Flávio Bolsonaro. ‘Talvez tenha desagradado o presidente’, diz o general Décio Brasil.

A mesma Folha relata que “a escolha de Marcelo Magalhães para comandar a Secretaria Especial do Esporte desagradou a militares que, desde o início da gestão, davam as cartas na área. Apelidado de Marcelo Negão, o padrinho de Flávio Bolsonaro é o primeiro não militar a assumir o cargo”.

O general enxotado

Após afirmar que Bolsonaro” é “impulsivo”, o general enxotado lamentou sua troca pelo padrinho de casamento do zero-um. “Infelizmente, o nosso trabalho está sendo jogado no lixo e a gente fica frustrado”. Marcelo Magalhães é o terceiro a chefiar a Secretaria Nacional de Esportes.

“A decisão frustrou grande parte dos militares que hoje ocupam cerca de 20 dos mais de 90 cargos da Secretaria de Esportes. A expectativa é de que por volta de um terço do grupo deixe o órgão nos próximos dias”, informa a Folha. Será mesmo? Os milicos se acovardaram no laranjal de Bolsonaro!

Enquanto olavetes, “pastores” e milicos brigam no laranjal, um ex-bolsonarista dá risada. O deputado-pornô Alexandre Frota, hoje no PSDB, voltou a agitar o pedaço ao revelar que os cenários das lives (transmissões ao vivo) do “capetão” na campanha eleitoral de 2018 foram armados. Era tudo fake news!

Em entrevista à Época, o ex-bolsonarista Alexandre Frota deu detalhes: “Tudo era armado nas lives para [Bolsonaro] parecer um cara do povo. A prancha de surfe era colocada, o uso do chinelo, leite Moça, tudo era pensado para mostrar que ele era o cara do povo. Sempre foi armado”.

Até a camisa pirata do Palmeiras era fake news. “Tudo proposital”, debochou Alexandre Frota. Ele ainda comparou o estilo de vida “simples” do capitão com o uso atual do cartão corporativo da Presidência. Até setembro passado, Bolsonaro desembolsou mais de R$ 4,5 milhões no cartão.

Altamiro Borges, é jornalista.

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