Petardos: Globo abafa alta da informalidade

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Publicado segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020 as 09:14, por: CdB

Segundo a pesquisa do IBGE (Pnad), a taxa de desemprego caiu para 11% no último trimestre de 2019, período marcado pelo Natal e pelas férias de verão. Já o trabalho informal atingiu seu maior contingente desde 2016, com 41,1% da população ocupada, 38,4 milhões de pessoas.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

Entusiasta da agenda ultraneoliberal de Bolsonaro, a mídia rentista dá destaque à tímida queda do desemprego. o diário conservador carioca O Globo, sem qualquer senso crítico, estampa na manchete: ”Desemprego cai no último trimestre e fecha o ano em 11%”. O jornalão evita tratar da explosão da informalidade.

Segundo a pesquisa do IBGE (Pnad), a taxa de desemprego caiu para 11% no último trimestre de 2019
Segundo a pesquisa do IBGE (Pnad), a taxa de desemprego caiu para 11% no último trimestre de 2019

Segundo a pesquisa do IBGE (Pnad), a taxa de desemprego caiu para 11% no último trimestre de 2019, período marcado pelo Natal e pelas férias de verão. Já o trabalho informal atingiu seu maior contingente desde 2016, com 41,1% da população ocupada, 38,4 milhões de pessoas.

Ainda segundo a Pnad, o número de trabalhadores com carteira assinada em dezembro foi de 33,7 milhões, um aumento de 1,8% com relação ao trimestre anterior. Já o número de trabalhadores por conta própria ficou em 24,6 milhões, 782 mil pessoas (3,3%) a mais do que o fim de 2018.

Desocupados

A redução no número de desocupados em 2019 ocorreu principalmente pelo avanço de uma categoria que cresce no país: a do trabalhador por conta própria. Nos oito anos do Pnad do IBGE, 3,9 milhões de pessoas passaram a trabalhar de forma autônoma, com renda menor e sem direitos.

Apesar da euforia da mídia burguesa com os rumos da economia, a miséria segue em alta. Estudo recente aponta que a população de rua da cidade de São Paulo chegou a 24.344 pessoas em 2019, um salto de 60% em quatro anos. Em 2015, os moradores nesta situação somavam 15,9 mil.

Os dados dramáticos do Censo da População em Situação de Rua, realizado pela prefeitura de SP, “mostra a relação entre o salto no número de moradores de rua e a alta na taxa de desemprego, que era de 13,2% na cidade em 2015 e agora chega a 16,6%”, relata Mônica Bergamo na Folha.

Ainda segundo o Censo, do total de moradores de rua, 69,3% são pretos ou pardos e 28% são brancos. A maior parte dos descartados tem entre 31 e 49 anos (46,6%). E 3,9% são crianças. O capitalismo, ainda mais na sua fase ultraneoliberal, não serve à humanidade.

As briguinhas no laranjal da ultradireita seguem risíveis. Na semana passada, elas envolveram o ex-ministro Gustavo Bebianno e o deputado Marco Feliciano. O embate teve início quando o primeiro, que chefiou a campanha do “capetão” e depois foi defenestrado, criticou Bolsonaro.

Defesa do chefe

O pastor puxa-saco logo saiu em defesa do chefe. Em entrevista, Feliciano afirmou que “Bebianno é um nada. Sem cargo, sem voto, sem mandato. Tenta fugir do ostracismo político falando mal do presidente Bolsonaro, o qual dizia ser o melhor líder do mundo, até por ele ser enxotado”.

Pelo twitter, Bebianno chutou: “O ‘pastor’ Feliciano é aquele petista de carteirinha que vivia adulando a presidente Dilma, e que agora bajula os Bolsonaro? A impressão que passa é que é daqueles que exploram a fé alheia e misturam religião com política apenas para se locupletar”.

Em outro postagem, Bebianno foi ainda mais cruel contra o Feliciano, afirmando que ele “vive envolvido em escândalos grotescos, tal como o tratamento odontológico de R$ 157 mil com dinheiro público e aquela história enrolada com a Patrícia Lelis”. O “pastor” promete se vingar!

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil