Petrobras anuncia construção de plataformas e aquece economia

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Publicado segunda-feira, 3 de março de 2003 as 10:29, por: CdB

Ao decidir pela ampliação do índice de participação da indústria nacional no processo de licitação para as plataformas P-51 e P-51, a Petrobras seguiu uma orientação de governo e iniciou um processo que contribuirá para a reestruturação da indústria naval brasileira e também das indústrias de bens de capital ligadas a este segmento.

“É claro que também estamos gerando empregos, fazendo a economia girar e economizando divisas. Mas estamos também, e isto é bom frisar, em consonância com as declarações do governo de que o país tem que ter uma política industrial”, disse o gerente executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, em entrevista à Agência Brasil.

Para ele, não há dúvidas sobre os benefícios da decisão do governo para a economia brasileira: “somente com essas plataformas, na avaliação que a gente fez do ponto de vista da criação de empregos diretos, serão gerados cinco mil. Veja, eu falo de empregos diretos. Mas, você tem toda uma cadeia produtiva em volta que vai girar com muito mais velocidade. Você terá empregos diretos ligados aos próprios serviços de construção e montagem. Há a área de engenharia e detalhamento, que é um número significativo – embora de difícil cálculo. A gente costuma trabalhar na base de um direto para cada três indiretos. Portanto, estaríamos, só em áreas afins, gerando 15 mil outros empregos diretos”.

O presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Eloi Fernandez, é mais otimista: “seguramente, serão gerados, com a decisão da Petrobrás, mais 20 a 30 mil empregos diretos e indiretos”.

Para Fernandes, a decisão de aumentar o índice de nacionalização na produção das plataformas demonstra a determinação do governo de por em prática uma política industrial com participação de destaque do setor da indústria naval. “Isto é excelente. Gera perspectivas de incremento da indústria, com geração de emprego e renda para o país.Com essa sinalização, acreditamos que a tendência é de ampliação e intensificação da participação da indústria nacional”.

Na avaliação de Fernandez, a decisão da Petrobras não só preserva o caráter internacional das licitações, como garante cinco mil empregos diretos em cada uma das plataformas. O presidente da Onip defende, porém, a necessidade de que as empresas nacionais se organizem para elaborar propostas de forma que possam aumentar ainda mais o conteúdo nacional: “é claro que a decisão está de bom tamanho. Mas as pesquisas que são feitas, em média, apontam o setor nacional como podendo atender a cerca de 60% dessas encomendas. Agora, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) precisa ter um papel fundamental neste processo, ao viabilizar recursos a juros que tornem a indústria nacional ainda mais competitiva”.

O diretor do estaleiro Fels Setal, Augusto Mendonça, mesmo com otimismo, faz um alerta: “o governo foi extremamente corajoso, firme, mostrou que veio para mudar e já começa a mudar. Olhou com carinho para a indústria naval. Mas há questões de longo prazo que têm de ser melhor arranjadas e é preciso equacionar melhor essa questão da relação tributo / juros. O financiamento ainda é caro, mas com atenção poderemos atender até 78% da demanda”.

Mendonça, que é um dos conselheiros do Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinval), lembrou que a decisão do governo de construir as plataformas P-51 e P-52 no Brasil reverte uma tendência que predominava até então e que levou a que 17 outras plataformas fossem, de alguma forma, construídas fora do país. Essa reversão de tendência vai gerar, segundo ele, emprego, renda, melhorar a balança comercial e desenvolver a indústria naval. Vai levar à reativação de estaleiros.

“Quando Lula, então candidato, nos visitou – na Setal, em Angra dos Reis – podia-se ver em seus olhos que o que falava (sobre as plataformas serem feitas no Brasil) não era simples promessa de campanha. Podia-se ver que ele realmente estava di