Petrobras desiste de vender ativos e se concentra na produção do pré-sal

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Publicado quinta-feira, 26 de novembro de 2020 as 13:23, por: CdB

Em um comunicado na noite passada, a Petrobras disse que passará a se concentrar nos produtivos campos de petróleo do pré-sal, uma vez que vende ativos não essenciais para reduzir a dívida.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

Diante da realidade imposta aos preços do petróleo, desde o início da pandemia em março deste ano, a Petrobras resolveu nesta quinta-feira cortar o plano de investimento de cinco anos em 27%. A projeção atual em relação ao anterior cai para US$ 55 bilhões, na tentativa de preservar o caixa da companhia, uma vez que o novo coronavírus derrubou a demanda e os preços globais do petróleo.

Os poços de petróleo do pré-sal, distribuídos pela costa brasileira, têm produção consistente e de alta qualidade
Os poços de petróleo do pré-sal, distribuídos pela costa brasileira, têm produção consistente e de alta qualidade

Em um comunicado na noite passada, a Petrobras disse que passará a se concentrar nos produtivos campos de petróleo do pré-sal, uma vez que vende ativos não essenciais para reduzir a dívida. A Petrobras disse que planeja investir US$ 46 bilhões, ou 84% do total dos investimentos, em exploração e produção. Isso se compara a US$ 64 bilhões do programa anterior.

A empresa disse que limitará a aprovação de investimentos a novos projetos que possam ser lucrativos com preços do petróleo tão baixos quanto US$ 35 o barril. Antes da pandemia, em novembro de 2019, a Petrobras disse que iria investir US$ 75,7 bilhões entre 2021 e 2024.

Relatório

O corte de gastos vai reduzir a produção diária da Petrobras para cerca de 2,75 milhões de barris de óleo equivalente (boe) em 2021, ante uma produção projetada de 2,84 milhões de barris por dia em 2020. A produção de petróleo foi estimada em 2,23 milhões de barris por dia em 2021, subindo para 2,3 milhões em 2022 e depois para 2,5 milhões de barris ao dia em 2023.

Em relatório, o Credit Suisse considerou um pouco decepcionante a projeção de 2021. “A produção é o tema mais polêmico do plano, e o culpado é o impacto potencial dos desinvestimentos na curva de produção”, afirmou o banco.

“No curto prazo, a curva de produção decepcionou nossas expectativas (2,23 milhões de barris por dia versus 2,3 milhões de barris por dia em 2021) e a explicação pode estar parcialmente relacionada a desinvestimentos em 2020 e o adiamento das paradas de manutenção de 2020 para 2021, devido às restrições a bordo relacionadas à Covid-19”, comentou o Credit Suisse.

Desinvestimentos

No longo prazo, a curva de produção de petróleo é 200 mil barris por dia menor do que o plano anterior, mas ainda cresce até 2,7 milhões de barris por dia, em 2025, “acima de nossas estimativas (2,4 milhões de barris por dia)”, disse.

A Petrobras ponderou que a projeção de 2,75 milhões de boed para 2021 não inclui o desinvestimento já ocorrido em Baúna e os desinvestimentos a ocorrerem em 2020. A produção de petróleo e gás natural deve subir para 3,3 milhões de boe por dia até 2024 e se manter estável em 2025, disse a empresa.

A Petrobras estabeleceu sua meta de dívida bruta em US$ 67 bilhões para 2021 e confirmou seus planos de reduzir a dívida para US$ 60 bilhões, em 2022. O Credit Suisse disse ainda que, de modo geral, a Petrobras terá um portfólio “mais lucrativo, embora menor”.

As operações de ‘upstream’ da Petrobras também vão se tornar cada vez mais resilientes aos preços mais baixos do petróleo, dado um preço Brent de equilíbrio máximo de US$ 35 por barril em novos projetos”, disse o banco. A empresa anunciou ainda planos para reduzir as emissões totais de gases de efeito estufa de suas operações em 25% até 2030.