Petrobras responde às denúncias de economista sobre lucro anabolizado

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Publicado segunda-feira, 1 de março de 2021 as 16:10, por: CdB

“O estratosférico lucro de R$ 59,89 bi da Petrobras no quarto trimestre foi montado para satisfazer a maioria de seus acionistas estrangeiros, aqueles detentores das American Depositary Receipt (ADRs)”, escreveu o economista Assis Pereira, contestado pela estatal.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Após declarar um lucro exponencial, perto de R$ 60 bilhões, a gestão do atual presidente da Petrobras passou a ser questionada por analistas financeiros, em especial o economista João Batista de Assis Pereira, que atuou como consultor da estatal brasileira do petróleo. Em texto publicado neste domingo no portal de investimentos GuiaInvest, para assinantes, houve uma manobra lesiva aos aposentados da companhia, para atingir a meta. A companhia, no entanto, discordou frontalmente das afirmações.

Os estoques de gasolina variam de acordo com os preços, segundo a BR
O lucro da Petrobras, segundo consultor da companhia, contou com as pensões e o plano de saúde da empresa para ser anabolizado

“O estratosférico lucro de R$ 59,89 bi da Petrobras no quarto trimestre foi montado para satisfazer a maioria de seus acionistas estrangeiros, aqueles detentores das American Depositary Receipt (ADR’s, recibos de ações emitidos nos EUA para negociar ações de empresas de fora do país) negociadas em Dow Jones, representando, na verdade, o maior conto do vigário da história das empresas de capital aberto no Brasil”, afirmou Assis Pereira, contestado pela Petrobras.

Na Justiça

“Não fica difícil de observar que essa cifra toda remete a fatores não recorrentes, mediante os quais o Castello Branco e séquito montaram esse falacioso resultado, utilizando de reversão de impairment (deterioração de ativos na contabilidade) de R$ 31 bilhões, ganhos cambiais de R$ 20 bilhões e reversão arbitrária de gastos passados do plano AMS (plano de saude dos funcionários ativos e aposentados) montados em R$ 13,1 bilhões, decorrente da revisão de obrigações futuras da empresa com seus empregados, aposentados e pensionistas em seu Plano de Saúde. Façam o somatórios desses resultados não recorrente para certificarem que o resultado real, excluídos fatores não recorrente, sairia no vermelho”.

Ainda segundo o economista, “em relação a reversão de gastos pretéritos do Plano AMS de R$ 13,1 bilhões, tudo leva a crer que a Petrobras deverá voltar atrás, já no próximo balanço. Não vai demorar muito para que milhares de aposentados e pensionistas, que foram prejudicados recuperarem, em caráter liminar os direitos na justiça, daquilo que lhes foram usurpados pela estatal petroleira, em acordo de trabalho com sindicatos da FUP”.

“Uma boa parte do estrondoso lucro da Petrobras que resultou em falacioso lucro líquido de R$ 59,89 bilhões no quarto trimestre de 2020 decorre principalmente, da baixa contábil dos gastos da Petrobras no seu Plano Multidisciplinar de Saúde, deixando transparecer que será suportado por milhares de aposentados e pensionistas da estatal, ao longo dos anos vindouros, graças a gigantesca ampliação da margem de descontos consignados a serem praticados doravante nos contracheques de milhares de aposentados e pensionistas da Petrobras, passando, absurdamente dos 13% para 30%, redundando em um gigantesco valor de reversão de gastos passados do plano AMS da Petrobras em R$ 13,1 bilhões”, detalha.

Acordo ‘absurdo’

Assis Pereira acrescenta que “essa quantia bilionária decorre da revisão de obrigações futuras da empresa com o Plano de Saúde. A brutal mudança no percentual de descontos consignados transferirá uma boa parte dos R$ 13,1 bilhões dos contracheques de aposentados e pensionistas da Petrobras, diretamente para investidores institucionais norte-americanos, na forma de dividendos, aqueles possuidores das ADR”.

“Eis a formula mágica praticada por Castello e séquito, que, na prática retira dos aposentados e pensionistas da Petrobras e os transfere a investidores estrangeiros. Essa pratica de transferir elevado valor dos pobres e desprotegidos aposentados e pensionistas da Petrobras, deixará praticamente zerados os valores de vencimentos, nos contracheques de milhares de velhinhos sexagenários da Petrobras, resultado do absurdo “acordo” ocorrido entre o Sindicato dos Petroleiros e da alta administração da Petrobras, obtido na calada da noite, nos derradeiros momentos do dissídio coletivo bienal (2021/22), ocorrido em reunião não presencial por conta da Pandemia, que surpreendeu a todos nós brasileiros, sobretudo empregados, aposentados e pensionistas da Petrobras”, resume.

Resposta

Nota da Petrobras dirigida ao Correio do Brasil, nesta tarde, no entanto, afirma que “são completamente descabidas as declarações mencionadas sobre o balanço da Petrobras”. Segundo a empresa, “as Demonstrações Financeiras da Petrobras seguem e estão em total conformidade com as normas contábeis aplicadas no Brasil e as normas contábeis internacionais e passam por uma rígida governança de aprovação, pela Diretoria Executiva, Conselho de Administração e Conselho Fiscal, além de auditoria externa realizada por firma de auditoria independente de renome internacional”. 

“Em seu texto, o autor comete inúmeras impropriedades no que diz respeito ao adequado tratamento contábil de questões como variação cambial, benefícios pós-emprego e avaliação da recuperabilidade de ativos.

 “Todos os analistas do setor de petróleo reconheceram publicamente o desempenho financeiro e operacional da companhia em 2020.

 “Mesmo diante de um cenário desafiador, a geração operacional de caixa em 2020 foi expressiva e superou o desempenho do ano anterior.

 “Foram R$ 148,1 bilhões de fluxo de caixa operacional e R$ 112,8 bilhões de fluxo de caixa livre, mesmo com a queda acumulada do preço do petróleo no ano.

 “A companhia reduziu custos e os configurou para permanecerem em trajetória descendente, aumentou a produtividade e focou em investir em ativos de classe mundial, que geram maior rentabilidade e menor custo operacional.

 “Essa robusta geração de caixa, junto com os desinvestimentos, possibilitou manter a capacidade de a empresa investir e também uma forte desalavancagem, mesmo com a crise.

 “A Petrobras reduziu em US$ 11,6 bilhões a dívida bruta, conseguindo superar a meta para o ano.

 “A companhia foi a única entre as grandes empresas internacionais do setor que conseguiu reduzir a dívida bruta em 2020 e apresentou desempenho destacado perante suas pares.

 “As Demonstrações Financeiras da Petrobras utilizam as mesmas práticas contábeis aplicadas pelas maiores empresas do setor e seguem estritamente as mesmas normas contábeis comuns a qualquer empresa de capital aberto. As Demonstrações Financeiras da Petrobras refletem adequadamente os efeitos econômicos, financeiros e patrimoniais sobre as operações da companhia para o período reportado.

 “Além disso, todas as suas práticas contábeis e informações relevantes a respeito dos temas contábeis tratados no artigo em questão são apresentadas de forma clara e transparente nas notas explicativas, que são parte integrante das Demonstrações Financeiras.

 “Finalmente, cabe ressaltar, inclusive, que diversas questões citadas pelo autor não envolvem qualquer prática discricionária, por parte da Petrobras, mas sim requerimentos descritos nas normas contábeis a ela aplicáveis”, respondeu a Petrobras.

A FUP, apesar das insistentes tentativas, não retornou às ligações da reportagem.