PF se aproxima do ‘Gabinete do Ódio’ e chega à Secom do Planalto

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Publicado sexta-feira, 4 de dezembro de 2020 as 14:18, por: CdB

A investigação aponta, por exemplo, que um dos youtubers recebia vídeos exclusivos feitos por um assessor que está sempre ao lado do presidente e filma a maior parte das suas atividades. Outro assessor é próximo a um dos blogueiros investigados, no WhatsApp.

Por Redação – de Brasília

Cada vez mais próxima do ‘Gabinete do Ódio’ a que se refere a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, em curso no Congresso, a Polícia Federal (PF) chega à Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) nas investigações sobre o envolvimento de agentes públicos em sites e blogs antidemocráticos. Diante dos fatos, a Secom negou nesta sexta-feira, em nota, que haja a contribuição de integrantes do Secretaria ou do Palácio do Planalto com conteúdos que pregam o fim da democracia.

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), é apontado no inquérito da PF como um dos líderes do ‘Gabinete do Ódio’

A Secom também nega que tenha apoiado, financeiramente, os agentes digitais que apoiam o governo. Não é o que apurou, até agora, a investigação da PF. Provas encontradas ao longo do processo mostram que youtubers e blogueiros alinhados ao Palácio do Planalto lucram até R$ 100 mil mensais com a monetização de seus canais e atraem milhares de seguidores com informações e vídeos obtidos com a ajuda de assessores presidenciais.

A investigação aponta, por exemplo, que um dos youtubers recebia vídeos exclusivos feitos por um assessor que está sempre ao lado do presidente e filma a maior parte das suas atividades, segundo o jornal. Em outro caso, um outro assessor teria um grupo de WhatsApp com um dos blogueiros investigados, que funcionava como um porta-voz dos blogueiros alinhados em demandas ao Planalto.

Acesso

Um dos canais do YouTube, por exemplo, conseguiu acesso ao satélite Amazônia, usado pela TV Brasil, para transmitir as imagens de eventos do presidente que acontecem fora de Brasília, segundo a reportagem.

O inquérito conduzido pela PF mostra, ainda, que os canais bolsonaristas tiveram um aumento de 27% de inscritos, chegando a 8,3 milhões de pessoas, entre 1º de março e 30 de junho, período em que se concentraram as manifestações contra o STF e a favor de uma intervenção militar com Bolsonaro à frente, segundo reportagem publicada no diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP).

Na nota, o Planalto também negou que haja apoio financeiro a qualquer canal digital e que não há ‘Gabinete do Ódio’. “Não há um centavo de dinheiro público em sites antidemocráticos”, conclui a nota.