PF investiga contratos de afretamento de navios da Petrobras

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Publicado quarta-feira, 18 de dezembro de 2019 as 10:33, por: CdB

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira nova fase da operação Lava Jato com o objetivo de ampliar as investigações sobre contratos de afretamento de navios.

Por Redação, com Reuters  e ABr– do Rio de Janeiro/Brasília

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira nova fase da operação Lava Jato com o objetivo de ampliar as investigações sobre contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras em valores que ultrapassam R$ 6 bilhões, por suspeitas de corrupção e propina para favorecimento de empresas, informou a PF em nota.

Lava Jato investiga contratos de afretamento de navios da Petrobras
Lava Jato investiga contratos de afretamento de navios da Petrobras

“Há suspeitas de que algumas empresas teriam sido beneficiadas com informações privilegiadas acerca da programação de contratação de navios utilizados para transporte marítimo de petróleo e derivados da empresa, de forma que tiveram valiosa vantagem competitiva na captação dos negócios. Em contrapartida, há evidências de pagamentos de propina a empregados da empresa pública”, disse a polícia.

Petrobras

De acordo com a PF, são investigados empregados da Petrobras e pessoas e empresas que aparecem nos negócios firmados pela Petrobras como brokers, que teriam corrompido funcionários da estatal para garantir negócios de fornecimento de transporte de produtos.

A Justiça expediu 12 mandados de busca e apreensão, sendo 1 em São Paulo, 10 no Rio de Janeiro e 1 em Niterói (RJ), com o objetivo de colher evidências do envolvimento de empregados vinculados à Diretoria de Abastecimento e Logística e Gerência de Afretamentos da Petrobras com atos de corrupção e lavagem de dinheiro, além das outras empresas suspeitas de envolvimento, acrescentou a PF.

Corrupção

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa disse, durante entrevista à imprensa na sede da PF, na capital paranaense, que a ação policial deflagrada nesta quinta-feira é uma sinalização concreta que a área-fim da Petrobras foi atingida por esquemas de corrupção que vão desde o afretamento e o abastecimento de navios até a carga por eles transportada. Segundo o procurador, as investigações se aprofundam inclusive em relação a contratos de afretamentos ainda em vigor.

De acordo com o MPF, entre 2002 e 2012, a Maersk e suas subsidiárias fecharam 69 contratos de afretamento com a Petrobras, que totalizaram aproximadamente R$ 968 milhões. A Tide Maritime figurou em 87 contratos, entre 2005 e 2018, no valor de R$ 2,8 bilhões. Já a Ferchem, também shipbroker, intermediou ao menos 114 contratos de afretamento marítimo na Petrobras, superior a R$ 2,7 bilhões, entre 2005 e 2015.

As investigações relacionadas a Maersk são oriundas da colaboração premiada de Paulo Roberto Costa. “Foram reunidas evidências que o armador, por meio de uma empresa intermediária, efetuou pagamentos de propina ao então diretor de Abastecimento da Petrobras, tendo como contrapartida o fornecimento de informações privilegiadas. Por ora, são investigados pelo menos 15 contratos de afretamento marítimo vigentes entre 2006 e 2014, no valor total de R$ 658 milhões”.

A reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com as empresas citadas nas investigações da Operação Óbolo, conduzidas pelo PF e o MPF.

De acordo com a PF, o nome da operação, Óbolo, é em referência à moeda que era usada para remunerar o barqueiro Caronte, que conduzia as almas através do rio que separava o mundo dos vivos dos mortos, segundo a mitologia grega.

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