PF cumpre mandados de prisão por propina paga a  ex-ministros

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Publicado quarta-feira, 21 de agosto de 2019 as 11:43, por: CdB

A investigação indica que o Grupo Odebrecht fazia pagamento de propina periódica a dois ex-ministros.

Por Redação, com ABr – de São Paulo

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira a 63ª fase da Operação Lava Jato, denominada Carbonara Chimica. Foram cumpridos, em São Paulo, dois mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão. Os policiais também cumpriram dois mandados de busca e apreensão na Bahia.

Lava Jato cumpre mandados de prisão por propina paga a 2 ex-ministros

Os presos foram levados para a sede da Polícia Federal em São Paulo e, posteriormente, para a superintendência do Paraná, onde serão interrogados.

A investigação indica que o Grupo Odebrecht fazia pagamento de propina periódica a dois ex-ministros. Os valores eram contabilizados em uma planilha denominada “Programa Especial Italiano”. Os investigados eram identificados como “Italiano” e “pós-Itália”.

Com a propina, eram aprovadas medidas provisórias, como um refinanciamento de dívidas fiscais que permitiria a utilização de prejuízos fiscais das empresas como forma de pagamento.

“Há indicativos de que parte dos valores indevidos teria sido entregue a um casal de publicitários como forma de dissimulação da origem do dinheiro”, informou a Polícia Federal.

Os mandados foram expedidos pela 13ª. Vara Federal de Curitiba. Foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados, no valor de R$ 555 milhões.

Contrabando de pessoas

A Polícia Federal (PF) prendeu três homens na terça-feira acusados de comandar um esquema para levar ilegalmente estrangeiros para os Estados Unidos (EUA), passando pelo Brasil.

Nenhum deles é brasileiro, um é argelino, o outro sul-africano e o último iraniano. Segundo a investigação, eles falsificavam vistos para que pessoas da África Oriental pudessem entrar no país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. Foram identificadas 72 pessoas que teriam sido levadas pela quadrilha.

A investigação começou em julho do ano passado, com informações da agência norte-americana de imigração. Os depoimentos de quatro pessoas que entraram ilegalmente nos Estados Unidos apontaram para a existência da quadrilha que operava em São Paulo. Os imigrantes pagavam, de acordo com a PF, entre US$ 5 mil e US$ 7 mil para fazer a travessia do país de origem até a fronteira com os EUA.

De São Paulo, as pessoas eram levadas para Rio Branco, no Acre, onde atravessavam a fronteira para o Peru. O trajeto, que chegava a durar 90 dias, envolvia ainda passagens pelo Equador, Colômbia e Panamá, inclusive em áreas de floresta. Os imigrantes vinham de países como Somália, Iêmen, Tanzânia, Quênia, Etiópia e Eritreia. A maioria são homens entre 20 e 30 anos de idade.

O refugiado argelino é apontado como líder da quadrilha. Segundo a polícia, ele vivia em uma ocupação e tinha uma agência de turismo, que usava para operar o esquema. O iraniano estava no Brasil com um visto de investidor e o sul-africano também tem refúgio concedido pelo governo brasileiro. Além das informações fornecidas pelas autoridades estrangeiras, a Polícia Federal interceptou ligações telefônicas e e-mails dos acusados de envolvimento.

Foram cumpridos também quatro mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos acusados. Foi negado pela Justiça, no entanto, o pedido da polícia para fazer uma busca em uma mesquita. “Em diálogos interceptados, ele comentava com a namorada que guardava dinheiro falso na mesquita. Há indicativos de que ele poderia ocultar na mesquita tanto passaportes falsos como moeda falsa”, justificou o delegado Milton Fornazari sobre o pedido feito em relação ao templo religioso.

Porta de entrada para os EUA

Entre as pessoas que chegaram aos Estados Unidos estão dois homens vindos da Somália que, de acordo com as autoridades norte-americanas, fazem parte do grupo terrorista Al-Shabaab. A organização fundamentalista islâmica é ligada a Al-qaeda.

Segundo o delegado Milton Fornazari, a capital paulista é atualmente um ponto fundamental para imigrantes de outros continentes que pretendem entrar ilegalmente em solo norte-americano. “O que nós identificamos é que hoje a maior rota para a imigração ilegal para os Estados Unidos se inicia em São Paulo. São Paulo é a porta de entrada no Continente Americano para essa rota terrestre de imigrantes que vem de outros continentes”, enfatizou.

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