PF prende ex-senador no Amapá em operação de fraude corrupção

Arquivado em: Arquivo CDB
Publicado quinta-feira, 4 de novembro de 2004 as 20:42, por: CdB

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 25 pessoas acusadas de suposta fraude e corrupção em obras públicas no Amapá, que envolvem investimentos de mais de 100 milhões de reais. Entre eles, segundo a PF, está o ex-senador e presidente do PDT do estado, Sebastião Rocha.

A operação, batizada de “Pororoca” e que consumiu um ano e meio de investigações, conseguiu juntar indícios de fraudes em 17 obras no Amapá. O esquema partiria do empresário Luiz Eduardo Pinheiro Corrêa, dona da Método Norte Engenharia Ltda., que usaria de seus contatos com políticos para garantir que obras seriam realizadas na capital Macapá e no município de Santana.

Em troca, explicou o chefe da delegacia de combate a crimes fazendários do Amapá, delegado Tardelli Cerqueira Boaventura, ele conseguiria a garantia de que sua empresa realizar as obras, além de usar parte dos recursos para pagar as pessoas envolvidas no esquema. O ex-senador Rocha –também ex-secretário da Saúde do Amapá– garantia a liberação de dinheiro e o direcionamento das licitações.

De acordo com Boaventura, isso teria ocorrido na construção do Hospital de Especialidades, em Macapá, além do Porto de Santana.

O delegado explicou ainda que, entre as pessoas detidas nesta quinta-feira, também está o suplente de senador Fernando Flecha Ribeiro (PSDB), em Belém e três lobistas. As prisões aconteceram no Amapá, em Belém, em Brasília e em Minas Gerais e ainda restam cinco pessoas que já têm mandados de prisão emitidos e que não foram localizadas ainda.

– Temos fitas gravadas com essas pessoas mostrando os indícios de fraude. Essas pessoas têm muito boas condições de vida, ainda mais se comparado com a situação da cidade – afirmou o delegado, referindo-se às condições financeiras dos envolvidos.

Além das prisões, a Justiça também expediu 35 mandados de busca, todos realizados também nesta quinta-feira. Segundo Boaventura, que conversou com jornalista por meio de conferência telefônica, o material apreendido ainda não foi analisado, mas adiantou que, entre eles, está um automóvel de luxo.

 – Já pedimos o sequestro dos bens dessas pessoas, para garantir que haverá devolução ao erário público – acrescentou.