PF prende, STF solta e manda prender de novo o maior traficante do país

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Publicado domingo, 11 de outubro de 2020 as 15:21, por: CdB

A operação teve início depois que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, suspendeu a decisão de Marco Aurélio Mello, apenas algumas horas após a soltura de Macedo. O magistrado havia concedido habeas corpus para Macedo sob argumento de que o período que ele estava preso sem condenação definitiva excedia o permitido por lei.

Por Redação – de Brasília

Depois de perder prazo em um processo contra o maior traficantes de drogas do país, libertado na véspera por ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil  do Estado de São Paulo procuravam, neste domingo, por André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap. O traficante, condenado por tráfico de drogas, é apontado como um dos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou quatro anos foragido da Justiça.

André do Rap, maior traficante de drogas do país, está novamente foragido, após ser preso em mansão de alto luxo, em Angra dos Reis (RJ)
André do Rap, maior traficante de drogas do país, está novamente foragido, após ser preso em mansão de alto luxo, em Angra dos Reis (RJ)

A operação teve início depois que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, suspendeu a decisão de Marco Aurélio Mello, apenas algumas horas após a soltura de Macedo. O magistrado havia concedido habeas corpus para o megatraficante sob argumento de que o período que ele estava preso sem condenação definitiva excedia o permitido por lei.

Macedo foi condenado duas vezes em segunda instância por tráfico internacional de drogas e teve prisão preventiva decretada em 2014. No entanto, ficou foragido por cinco anos até ser preso no ano passado em uma operação policial que o encontrou vivendo em uma mansão em Angra dos Reis.

Foragido

Ao atender recurso da Procuradoria-Geral da República contra decisão de Marco Aurélio, Fux apontou que a soltura de Macedo compromete a ordem e a segurança públicas, que ele é de “comprovada altíssima periculosidade” e lembrou se tratar de alguém com dupla condenação por tráfico de drogas, investigado por alegadamente ser líder de facção criminosa e ficou foragido por cinco anos.

“Consideradas essas premissas fáticas e jurídicas, os efeitos da decisão liminar proferida…, se mantida, tem o condão de violar gravemente a ordem pública, na medida em que o paciente é apontado líder de organização criminosa de tráfico transnacional de drogas”, escreveu Fux ao determinar a suspensão da decisão de Marco Aurélio até análise pelo plenário da corte.

De acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, a polícia de São Paulo monitorou Macedo após sua saída do presídio de Presidente Wenceslau, no interior do Estado. Ele seguiu até Maringá, no Paraná, e embarcou em um avião cujo destino ainda não é conhecido.

Perplexidade

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança de Segurança Pública não confirmou a informação. O PCC tem operações no Paraguai, país com o qual o Paraná faz fronteira.

Na noite de sábado, em sua conta no Twitter, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou a decisão de Marco Aurélio, apontando-a como um desrespeito ao trabalho da polícia.

“Causa perplexidade a decisão do ministro do STF Marco Aurélio Mello, que determinou a libertação do traficante André Macedo, chefe do PCC condenado a 27 anos de prisão. O ato foi um desrespeito ao trabalho da polícia de SP e uma condescendência inaceitável com criminosos”, escreveu Doria.

Pouco depois, com a suspensão da decisão por Fux, o governador voltou à rede social e disse que determinou a criação de uma força-tarefa para a recaptura de Macedo.

“Parabéns ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, por cassar decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que libertou o chefe do PCC, o criminoso André do Rap. Determinei força-tarefa da polícia de SP para colocar esse bandido novamente atrás das grades. Lugar de bandido é na cadeia!”, concluiu.