PIB derrete e em lugar de ‘Posto Ipiranga’, Guedes passa a ‘guarda-chuva de camelô’

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Publicado segunda-feira, 9 de março de 2020 as 14:57, por: CdB

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou que a expectativa em geral ainda é de que a Selic termine este ano a 4,25%, mas para 2020 a conta caiu a 5,50%, de 5,75%. Entretanto, o Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, foi além e reduziu a estimativa para a taxa básica de juros em 2020 a 3,50%, de 4,25%, e para 2021 passou a ver 5,0%, de 5,75% antes.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Os analistas que atuam no mercado financeiro nacional passaram a ver crescimento econômico abaixo de 2% este ano enquanto o grupo que mais acerta as previsões reduziu a expectativa para a taxa básica de juros tanto neste ano quanto no próximo, de acordo com a pesquisa Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira.

Paulo Guedes não falou sobre a fuga de investidores, que se prolonga desde meados do ano passado
Paulo Guedes não falou sobre a fuga de investidores, que se prolonga desde meados do ano passado

O levantamento semanal apontou que a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 agora é de 1,99%, contra 2,17% antes. Para 2021, a conta permanece em alta de 2,50%.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou que a expectativa em geral ainda é de que a Selic termine este ano a 4,25%, mas para 2020 a conta caiu a 5,50%, de 5,75%. Entretanto, o Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, foi além e reduziu a estimativa para a taxa básica de juros em 2020 a 3,50%, de 4,25%, e para 2021 passou a ver 5,0%, de 5,75% antes.

Coronavírus

O BC reduziu em fevereiro a Selic em 0,25 ponto percentual, para a nova mínima histórica de 4,25% ao ano. No início do mês, indicou novo corte ao afirmar que monitora atentamente os impactos do coronavírus nas condições financeiras e na economia brasileira.

Para a inflação, a estimativa de alta do IPCA este ano subiu 0,01 ponto percentual, a 3,20%, enquanto para 2021 continua em 3,75%.

Diante do quadro negativo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira que o coronavírus foi gota d’água para mundo que já estava em desaceleração econômica, e reafirmou que a resposta do país ao ambiente deve ser dada com a realização das reformas econômicas.

‘Tempestade’

Citando o crescimento de 1,7% do PIB no quarto trimestre sobre igual etapa de 2018, o ministro disse, ao chegar no Ministério da Economia, que o Brasil está em “plena reaceleração”.

— O mundo descendo e o Brasil começando a subir. Aí veio o coronavírus. Isso agudiza a crise. Qual a minha resposta a isso? Temos que manter absoluta serenidade e a melhor resposta à crise são as reformas. O coronavírus está sendo só a gota d’água porque o mundo já estava desacelerando e o coronavírus na verdade virou uma pandemia que acelerou essa queda da economia mundial — avaliou o ministro.

Para o professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Cláudio Couto, no entanto, a “tempestade” no cenário econômico mundial que parece ter caído nesta segunda-feira será um teste decisivo, que pode arrasar com o ministro da Economia. Os mercados mundiais foram tomados por pânico nesta segunda-feira, por conta do alastramento da ameaça de epidemia do coronavírus e pela queda brutal no preço internacional do petróleo.

Camelô

Ainda durante a madrugada do domingo, quando as bolsas asiáticas começaram a operar, o preço do óleo cru caiu até 31% – maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990-91). Na sequência, a Bolsa de Nova York, ativou o chamado circuit break, paralisando as atividades, depois que o índice Dow Jones caiu mais de 10% nesta segunda-feira.

— Antes mesmo da eleição, dizia-se que Guedes parecia aqueles guarda-chuvas de camelô, que dificilmente resistem à primeira tempestade. Pelo jeito, a tempestade está chegando — acrescentou o catedrático.

A situação é agravada, segundo Couto, porque o governo Bolsonaro é “produtor de crises”, que se somam à própria “personalidade instável” do ministro.

— Há poucos dias, vimos que o presidente estava insatisfeito com a baixa taxa de crescimento do PIB, que ficou em 1,1%. Agora tudo tende a piorar. A questão é saber se, apesar de parecer ser um guarda-chuva de camelô, Guedes vai resistir – sobretudo sabendo como ele é usado pelo seu dono, que não toma muito cuidado com as suas atitudes e com aquilo que vale para a economia — completou o cientista político.