PM é preso por envolvimento em tráfico de órgãos em Pernambuco

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Publicado quarta-feira, 3 de dezembro de 2003 as 20:54, por: CdB

O superintendente da PF em Pernambuco, Wilson Damázio, disse que vai pedir ajuda à Interpol e à Embaixada da África do Sul para investigar o tráfico internacional de órgãos. Os investigadores querem descobrir em que hospital eram feitas as cirurgias para retiradas de órgãos e quais os médicos envolvidos no crime.

Segundo Damázio, a quantidade de órgãos vendidos pode ser bem maior do que foi apurado até agora.

– A gente acredita que pelo menos 30 cirurgias foram feitas. Com a ajuda da polícia da África do Sul, vamos trabalhar para identificar o local onde as cirurgias eram feitas, os responsáveis pela clínica e a conexão da quadrilha aqui no Brasil com aquele país – disse o superintendente.

Reportagem exibida nesta quarta-feira pela TV Globo mostrou como funcionava o esquema de tráfico internacional de órgãos a partir de Pernambuco. A negociação era feita na casa de um mecânico de automóveis no bairro do Bongi, conhecido como Tiago, que agenciava os doadores. De acordo com o homem que denunciou o esquema, os doadores eram recrutados na Região Metropolitana do Recife e em outras cidades do nordeste.

Segundo ele, policiais militares fazem parte da quadrilha. Um dos acusados é capitão da reserva da Polícia Militar. Ele foi preso nesta terça-feira e vai cumprir prisão temporária de cinco dias ao lado de outros dez acusados já presos.

Esse prazo pode ser aumentado para 30 dias. Se forem condenados, eles podem cumprir penas que vão de 10 a 13 anos de prisão por tráfico de órgãos e formação de quadrilha.