Poder de Lula para transferir votos coloca Haddad na frente e impressiona brasilianista

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Publicado domingo, 26 de agosto de 2018 as 14:31, por: CdB

Haddad é candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula até o trâmite final da homologação da candidatura de Lula na Justiça Eleitoral. Caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada, o que é muito provável, Haddad já assume em seu lugar.

Por Redação – de São Luís e Washington

 

O poder que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva detém para influenciar o eleitorado, mesmo preso e censurado pela Justiça brasileira é um fenômeno que coloca seu candidato, Fernando Haddad (PT) em primeiro lugar em ao menos um Estado brasileiro. Pesquisa contratada pelo maranhense Jornal Pequeno ao Instituto Exata, divulgada neste domingo, revela que o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), é o favorito entre os maranhenses na disputa presidencial, com 47% das intenções de votos.

Haddad levanta voo após ser indicado como representante de Lula
Haddad levanta voo após ser indicado como representante de Lula

Haddad é candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula até o trâmite final da homologação da candidatura de Lula na Justiça Eleitoral. Caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada, o que é muito provável, Haddad já assume em seu lugar e a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB), será a candidata a vice.

Primeiro turno

Segundo o Exata/JP, para o eleitorado maranhense o candidato apoiado por Lula, Fernando Haddad, venceria as eleições no primeiro turno com uma diferença de 30 pontos percentuais em relação ao segundo colocado, Jair Bolsonaro (PSL), preferido para 17% dos entrevistados.

Em seguida, aparecem os candidatos Marina Silva (Rede), com 8%; Ciro Gomes (PDT), com 6% e Geraldo Alckmin (PSDB), com 2%. Álvaro Dias (Podemos), Vera Lúcia (PSTU) e Henrique Meirelles (MDB) figuram no estudo com 1% cada um. Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13% e 4% disseram não saber ou não responderam.

O percentual de transferência de votos de Lula para Fernando Haddad, no entanto, é um ponto fora da curva, segundo mostra a pesquisa, alinhada com o cenário registrado pelo Datafolha na última pesquisa, divulgada na quinta-feira. Nela, Lula aparece com 39% de intenções de voto, e 31% dos eleitores dizem que votam com certeza em quem Lula indicar. 31% é nada menos que 79% dos eleitores que declaram voto em Lula.

Importância histórica

O fato de Lula transferir mais de 70% dos votos chamou a atenção do historiador norte-americano Bryan McCann. Professor da Universidade Georgetown e brasilianista, McCann avaliou, neste domingo, o alto poder de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta eleições presidenciais, caso tenha sua candidatura impedida pela Justiça.

— Lula tem uma importância histórica imensa para o Brasil. A questão principal agora é tentar entender como essa importância dele vai ter influência na eleição. Acho que a candidatura dele vai ser barrada, mas acredito que ele tenha grande poder de transferência de votos — disse McCann a jornalistas brasileiros.

Risco à democracia

Ele comparou o poder de transferência de Lula ao do ex-presidente Getúlio Vargas nas eleições de 1945, que elegeu Eurico Gaspar Dutra. Para os historiadores, lembra a eleição de 1945, “quando Getúlio Vargas teve poder de transferência de votos que acabou com o resultado da eleição do Dutra”, disse.

— Foi Getúlio que levou à eleição de Dutra. Lula vai ter este tipo de poder em 2018, e falta saber para quem vão acabar indo esses votos — afirmou.

O historiador acrescentou que o candidato da extrema-direta, Jair Bolsonaro (PSL), representa uma ameaça à democracia brasileira.

— Ele é um risco para a democracia brasileira. Como não sou cidadão brasileiro, não tenho um candidato para apoiar na eleição, mas eu votaria em qualquer um contra Bolsonaro. Ele não respeita essa democracia e fala abertamente que respeita mais o tipo de regime que o Brasil tinha durante a ditadura — concluiu.

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