Polícia cumpre mandados de prisão em investigação sobre desvio de recursos na prefeitura do Rio

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Publicado terça-feira, 23 de janeiro de 2018 as 10:06, por: CdB

De acordo com a PF, as investigações indicam a participação de dois ex-secretários municipais e um ex-subsecretário municipal em esquemas que envolviam recebimento de propina

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro:

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira nove mandados de prisão e 18 de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília como parte de uma investigação sobre suposto esquema de recebimento de propina e desvios de recursos públicos em obras contratadas pela Secretaria Municipal de Obras do Rio na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes.

PF compre 9 mandados de prisão em investigação sobre desvio de recursos na Prefeitura do Rio

De acordo com a PF, as investigações indicam a participação de dois ex-secretários municipais e um ex-subsecretário municipal; em esquemas que envolviam recebimento de propina e desvio de recursos de grandes obras; inclusive relacionadas aos Jogos Olímpicos de 2016.

A TV Globo informou que um dos presos é o ex-secretário de Obras do Rio Alexandre Pinto; que já havia sido detido em agosto do ano passado também por suspeita de receber propina em obras de infraestrutura ligadas à realização da Olimpíada.

Não foi possível fazer contato com representantes de Pinto. Em agosto, após a primeira detenção do ex-secretário; o ex-prefeito Eduardo Paes disse que seria “uma grande decepção” caso as denúncias contra ele fossem confirmadas.

Operação

Desencadeada nas primeiras horas da manhã desta terça-feira; a operação foi executada por cerca de 80 agentes federais e resultou na prisão do ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto; do ex-subsecretário Vagner de castro Pereira e do doleiro Juan Bitllonch.

Foram ainda expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro três mandados de prisão temporária contra pessoas ligadas à empresa Dynatest Engenharia, 18 mandados de busca e apreensão e seis intimações para depoimento.

As investigações revelaram que o esquema de cobrança de propina na Secretaria de Obras ia muito além dos contratos das empreiteiras com a Prefeitura.

A partir do depoimento de um colaborador, descobriu-se que o esquema alcançou outras prestadoras de serviços e empresas fornecedoras de materiais para as contratadas. “Foi identificada cobrança de propina relacionada às obras de restauração da Linha Vermelha; Programa Asfalto Liso; Transoeste; entorno do Maracanã; Transcarioca; e prestação de serviços relacionada às obras do Corredor Transbrasil por parte do Consórcio Dynatest-TCDI”, disse o procurador da República Eduardo El Hage.

Além da lavagem de ativos feita por intermédio de parentes dos envolvidos; objeto de denúncia oferecida pelo MPF recentemente, as investigações demonstraram que parte dos recursos obtidos por Alexandre Pinto foi remetida; para o exterior de forma sofisticada, com o uso de empresas offshore (empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação; que no país de origem de seus proprietários) operadas por terceiros e com recursos à disposição do ex-secretário.

O doleiro Juan Bertran

O doleiro Juan Bertran foi o responsável pelas operações de dólar cabo que abasteceram a conta da Centovali; offshore que concentrava os recursos de Alexandre. O colaborador revelou aos agentes da Lava Jato no Rio de Janeiro; que ainda que, em razão da relação de confiança estabelecida entre eles, o doleiro movimentava, a pedido de Alexandre Pinto; parte dos valores de propina recebidos pelo ex-secretário, e que atualmente detém mais de R$ 6 milhões pertencentes a Alexandre Pinto em suas contas no exterior, valor que será objeto de restituição à Justiça Federal.

Segundo os responsáveis pela investigação, o ex-subsecretário Vagner de Castro Pereira também teve importante papel no esquema; sendo responsável pelo recolhimento dos valores destinados ao ex-secretário. “Os pagamentos de propina por parte do Consórcio Dynatest-TCDI, contratado para realizar atividades de monitorização dos contratos de obras e serviços relacionados à implantação do Transbrasil; corredor exclusivo de BRT que liga o centro da cidade do Rio de Janeiro ao bairro de Deodoro, eram feitos em dinheiro diretamente ao subsecretário, por ordem de Alexandre Pinto”; disse o procurador Rafael Barreto.

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