Polícia prende ex-senador em investigação de caixa 2 no Pará

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Publicado quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 as 12:03, por: CdB

De acordo com a PF, durante as investigações foram encontrados indícios de que, pelo menos, um dos pagamentos ocorreu em um endereço ligado a parentes do ex-senador.

Por Redação, com ABr e Reuters – de Brasília

A Operação Fora do Caixa, um desdobramento da Operação Lava Jato, foi deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), a fim de apurar o pagamento de R$ 1,5 milhão, por meio de caixa dois, para o então candidato ao governo do Pará Helder Barbalho, nas eleições de 2014.

PF prende ex-senador em investigação de caixa 2 de governador do Pará
PF prende ex-senador em investigação de caixa 2 de governador do Pará

Segundo a PF, o governador não é investigado na operação. O ex-senador Luiz Otávio Campos é um dos presos. Foi também preso em Palmas, no Tocantins, Álvaro Cesar Silva da Rin, suspeito de ter participado da intermediação da doação ilegal.

De acordo com a PF, durante as investigações foram encontrados indícios de que, pelo menos, um dos pagamentos ocorreu em um endereço ligado a parentes do ex-senador. As investigações são baseadas em depoimentos de colaboração premiada feitos por executivos da Odebrecht.

Fraude

Nos depoimentos, os executivos disseram que foram realizadas três entregas, nos valores de R$ 500 mil cada, nos meses de setembro e outubro de 2014, sendo que o recebimento foi intermediado por um ex-senador da República, vinculado ao então candidato ao governo do Estado do Pará”.

Os policiais federais cumprem desde as primeiras horas desta manhã dois mandados de prisão temporária nas cidades de Belém, no Pará; Palmas, no Tocantins; e Brasília, no Distrito Federal. Estão sendo cumpridos também mandados de buscas e apreensões. As medidas judiciais foram autorizadas pela 1ª Vara da Justiça Eleitoral da capital paraense.

Segundo a PF, o nome da operação, Fora do Caixa, faz referência ao recebimento de recursos eleitorais não contabilizados. Os crimes sob investigação são de falsidade ideológica eleitoral (caixa 2), formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A reportagem da Agência Brasil busca contato para manifestação das defesas do ex-senador Luiz Otávio Campos e de Álvaro Cesar Silva da Rin e aguarda resposta do governo do Pará.

Em nota sobre a operação divulgada no início desta manhã, a Polícia Federal disse que uma investigação iniciada a partir de delação premiada de executivos da empreiteira Odebrecht no âmbito da Lava Jato revelou que um candidato ao governo do Pará recebeu três pagamentos de R$ 500 mil cada, intermediados por um ex-senador.

Além da prisão do ex-senador, a PF prendeu outro envolvido no caso e ainda tinha seis mandados de busca e apreensão, sendo dois deles no Distrito Federal e os outros divididos entre Pará e Tocantins.

“Durante o trabalho investigativo, foram encontrados indícios de que pelo menos um dos pagamentos foi realizado em endereço ligado a parentes do ex-senador da República citado pelos executivos”, afirmou a PF em nota, em que não divulgou os nomes dos suspeitos seguindo regras da corporação sobre a identificação de seus alvos.

Segundo a PF, o caso investigado tramitava inicialmente no Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi encaminhado à Justiça Eleitoral em Belém após decisão que confirmou entendimento sobre a competência da Justiça Eleitoral para processar e julgar crimes comuns em conexão com crimes eleitorais.

Procurado, o governo do Pará não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Não foi possível localizar a defesa de Luiz Otávio.