Polícia Federal faz operação contra instituição financeira ilegal

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Publicado quinta-feira, 17 de outubro de 2019 as 11:51, por: CdB

A Polícia Federal iniciou uma operação na manhã desta quinta-feira para desarticular a ação de um grupo que operava pirâmides financeiras.

Por Redação, com Reuters e ABr – de Brasília/São Paulo

A Polícia Federal iniciou uma operação na manhã desta quinta-feira para desarticular a ação de um grupo que operava pirâmides financeiras e compra de moedas virtuais que chegou a captar 40 milhões de reais por dia e ter um milhão de clientes.

PF faz operação contra instituição financeira ilegal que atua com esquema de pirâmide
PF faz operação contra instituição financeira ilegal que atua com esquema de pirâmide

Segundo a PF, a instituição, com sede em São Leopoldo (RS), atuava no mercado financeiro sem autorização das autoridades. Os recursos captados eram aplicados no mercado de compra e venda de moedas e também na compra de moedas virtuais para envio de divisas ao exterior.

“O inquérito policial foi instaurado em janeiro deste ano e apurou que os clientes do grupo eram atraídos pela promessa de retorno na ordem de 100% sobre o valor investido, no prazo de seis meses. A captação de recursos estava estruturada em formato conhecido como de ‘pirâmide financeira’, em que os novos investidores subsidiam os pagamentos de remuneração daqueles que já aplicaram recursos há mais tempo”, diz a nota distribuída pela PF do Rio Grande do Sul na manhã desta quinta.

Notificada

A polícia informa ainda que a instituição já tinha sido notificada pela Comissão de Valores Mobiliários para que parasse as transações, o que não foi cumprido. Em seguida, a CVM emitiu uma ordem de parada de operações, também ignorada.

Foram cumpridos 65 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão em quatro cidades no Rio Grande do Sul, além de Curitiba (PR), Bragança Paulista (SP), Palmas (TO) e Brasília (DF).

Operação contra cartel no transporte

A Polícia Federal fez nesta quinta-feira uma operação contra um grupo acusado de formar cartel para controlar os preços dos fretes do transporte de veículos novos. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em endereços em Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP), Serra (ES), Betim (MG) e Simões Filho (BA). Os alvos são quatro empresas de transporte e um sindicato sediado no Espírito Santo. A polícia acredita que mais de 30 pessoas estejam envolvidas no esquema.

As investigações começaram com um acordo de leniência feito com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em que foi denunciado o cartel. Como o processo no Cade ainda está sob sigilo, não foram divulgadas informações sobre os termos exatos ou os envolvidos.

Preços até 40% maiores

Segundo o delegado federal Rodrigo Sanfurgo, entretanto, as informações apontam para que a combinação de preços entre as quatro empresas que controlam o transporte de veículos desde as montadoras e importadoras até as concessionárias tenha começado em 2010. “Essas empresas se uniram, passaram a trocar informações sensíveis. Passaram a dividir o mercado e, então, estipular o preço que seria ofertado para os clientes”, enfatiza.

O acordo ilegal entre as empresas permitiu, de acordo com Sanfurgo, que fossem cobrados valores no mínimo 20% maiores do que em condições normais de concorrência pelos fretes, que fazem parte da composição do preço final dos veículos, cobrado dos consumidores. “Há vários indícios de que a prática continue em vigor e faça com que o preço do frete, suportado pelo consumidor, seja 30%, 40% do que poderia ser praticado no mercado competitivo”, diz o delegado.

Coerção

As participantes do cartel impediam, segundo a investigação, a entrada de novos concorrentes no mercado e que as montadoras e importadoras contratassem transportadoras que não faziam parte do esquema. “As montadoras e as importadoras não são investigadas. Mas elas são de certa forma coagidas ou obrigadas a participar das contratações das empresas”, ressalta Sanfurgo.

Para isso, o grupo contava com apoio do sindicato, que funcionava tanto como mediador dentro do próprio cartel quanto como força de coerção para as montadoras que tentavam burlar o esquema. “O sindicato não só atua arbitrando como mobilizando a categoria de forma a impedir a entrada de novos concorrentes, que não fazem parte desse esquema”, afirma o delegado.

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