Polícia de Hong Kong prende 53 pessoas por conspiração para ‘derrubar’ governo

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Publicado quarta-feira, 6 de janeiro de 2021 as 12:49, por: CdB

A polícia de Hong Kong prendeu 53 pessoas em operações de madrugada contra ativistas pela democracia, nesta quarta-feira, na maior repressão desde que a China impôs no ano passado uma nova lei de segurança que, segundo os oponentes, visa reprimir os dissidentes na ex-colônia britânica.

Por Redação, com Reuters – de Hong Kong

A polícia de Hong Kong prendeu 53 pessoas em operações de madrugada contra ativistas pela democracia, nesta quarta-feira, na maior repressão desde que a China impôs no ano passado uma nova lei de segurança que, segundo os oponentes, visa reprimir os dissidentes na ex-colônia britânica.

Policiais fazem guarda do lado de fora de escritório de ativista pró-democracia em Hong Kong
Policiais fazem guarda do lado de fora de escritório de ativista pró-democracia em Hong Kong

Os mais proeminentes defensores da democracia de Hong Kong foram presos em operações em 72 locais. As autoridades afirmam que a votação não oficial do ano passado para escolher candidatos da oposição em eleições era parte de um plano para “derrubar” o governo.

As prisões estão relacionadas à votação sem precedentes, organizada de forma independente e não vinculativa para selecionar candidatos da oposição para uma eleição legislativa adiada.

Cerca de 1.000 policiais participaram das operações, que incluíram buscas nos escritórios de um pesquisador e de um escritório de advocacia.

– O Partido Comunista Chinês apertou ainda mais o cerco em Hong Kong – disse Chris Patten, o último governador britânico de Hong Kong. “As democracias liberais em todo o mundo precisam continuar a falar abertamente contra a destruição brutal de uma sociedade livre.”

Patten afirmou que o Ocidente deveria ser mais duro com a China e repreendeu a Comissão Europeia por buscar um acordo comercial com Pequim.

– Não devemos tentar conter a China, mas restringir o Partido Comunista Chinês – disse Patten.

O secretário de Segurança de Hong Kong, John Lee, disse que os presos planejavam causar “graves danos” à sociedade e que as autoridades não vão tolerar atos subversivos.

– A operação de hoje visa os elementos ativos que são suspeitos de estarem envolvidos no crime de derrubar ou interferir seriamente para destruir a execução legal de funções do governo de Hong Kong – declarou Lee a repórteres.

As prisões

As prisões vão elevar ainda mais o alarme de que Hong Kong tomou um rumo autoritário.

Os críticos dizem que a lei de segurança de junho de 2020 esmaga as amplas liberdades prometidas quando a cidade voltou ao domínio chinês em 1997 e as prisões colocam a China ainda mais em rota de colisão com os Estados Unidos, no momento em que Joe Biden se prepara para assumir a Presidência.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A escolha de Biden para secretário de Estado, Antony Blinken, disse no Twitter que as prisões foram “um ataque aos que defendem bravamente os direitos universais”.

O principal escritório da representação de Pequim em Hong Kong afirmou em um comunicado que apoia firmemente as prisões. Membros do campo democrático deram uma entrevista coletiva para pedir a libertação de “presos políticos”.