Polícia cumpre mandados em gabinetes do líder do governo e de seu filho

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Publicado quinta-feira, 19 de setembro de 2019 as 10:29, por: CdB

Ambos são investigados por irregularidades em obras da transposição do Rio São Francisco.

Por Redação, com ABr e Reuters – de Brasília

Policiais federais estiveram nesta quinta-feira no Senado e na Câmara dos Deputados cumprindo  mandados de busca e apreensão nos gabinetes do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e do filho dele, deputado Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE).

O senador Fernando Bezerra Coelho é um dos alvos da operação da Polícia Federal

Ambos são investigados por irregularidades em obras da transposição do Rio São Francisco no período em que Bezerra foi ministro da Integração Nacional , no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Em nota, o advogado de defesa André Callegari, afirmou que as medidas se referem a “fatos pretéritos” e que a justificativa seria a “a atuação política e combativa do senador”.

“Causa estranheza à defesa do senador Fernando Bezerra Coelho que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, disse a defesa.

A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho acrescentou que a Procuradoria Geral da República opinou contra a busca, afirmando taxativamente “que a medida terá pouca utilidade prática”.

Ainda assim, segundo o advogado,  o ministro Luís Roberto Barroso a deferiu.

– Se a própria PGR – titular da persecutio criminis  (persecução do crime) – não tinha interesse na medida extrema, causa ainda mais estranheza a decretação da cautelar pelo ministro em discordância com a manifestação do MPF – destacou Callegari.

Ele disse que a defesa seguirá firme no propósito de demonstrar que as cautelares são extemporâneas e desnecessárias.

Lava Jato

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na quarta-feira não ter pressa para analisar se autoriza a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas violações cometidas por Moro, quando era juiz da operação Lava Jato, e procuradores da força-tarefa em Curitiba.

Ao reafirmar a necessidade de avaliar se há fato determinado bem delimitado no pedido de criação da CPI, o deputado argumentou que o caso precisa ser avaliado com cuidado, para não gerar instabilidade e não interferir na harmonia entre os Poderes.

– Qualquer decisão de abrir uma CPI contra outro Poder precisa ser muito bem avaliada – disse Maia a jornalistas.

– Por isso eu não tenho pressa, por isso que não é qualquer fato determinado que vai me fazer instalar essa CPI.

O presidente da Câmara comentou ainda a movimentação de senadores encampando a CPI da Lava Toga, com poder de, na opinião dele, desestabilizar o Supremo Tribunal Federal (STF).

– O que a gente precisa é de harmonia, de equilíbrio – defendeu Maia.

– Não é uma decisão fácil, não é um fato determinado qualquer, e como eu disse, eu olho sempre para a CPI do Senado, eu sempre olhei aquilo com muita preocupação.

Protocolado com apoio de parlamentares de PDT, PSB, PCdoB e PSOL, o pedido de CPI argumenta que teria havido um “provável conluio” entre autoridades, fato esse que pode ter acarretado “processos corrompidos em termos de violações de garantias fundamentais e à negativa de direitos”.

 

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