Polícia paraense faz vista grossa a ataque de jagunços ao MST

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Publicado sábado, 28 de julho de 2018 as 16:05, por: CdB

Na manhã passada, pela segunda vez, o MST ocupou, com 450 famílias, a Fazenda Santa Tereza, no Município de Marabá, sudeste do Estado.

 

Por Redação – de Marabá, PA

 

O acampamento Hugo Chaves, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), foi atacado na madrugada deste sábado, segundo informam as redes sociais do movimento. “Famílias do acampamento Hugo Chaves do MST atacadas por pistoleiros da região!!!”, alertou o líder do MST João Pedro Stedile.

Pertences dos agricultores foram depredados por jagunços armados
Pertences dos agricultores foram depredados por jagunços armados

“Agora à noite, homens armados ameaçam a retirada do acampamento e estão atirando com armas de fogo contra as famílias. Há pessoas baleadas ainda não se sabe quantas”, aponta tweet do MST Oficial, assinado por Stédile.

Na manhã passada, pela segunda vez, o MST ocupou, com 450 famílias, a Fazenda Santa Tereza, no Município de Marabá, sudeste do Estado. Diante das ameaças e da agressão armada, a Polícia Militar do Estado do Pará não tomou qualquer iniciativa.

Desde dezembro, quando foram despejados às vésperas do Natal, as famílias estavam em uma área provisória. Cansados de tanto descaso do poder público e como forma de denúncia da paralisia da Reforma Agrária retornaram para área que é grilada pelo latifundiário Rafael Saldanha.

Degradação

Desde 2014, a área é reivindicada para fins de Reforma Agrária e as famílias camponesas sofrem constantes ameaçadas de pistoleiros da região. Vários foram os episódios de violências inúmeras situações de violação de direitos humanos relatados e denunciados nacionalmente e até internacionalmente.

Os camponeses e camponesas retornaram para reconstruir a escola, fazer as roças e produzir seu próprio alimento. Fazer do lugar moradias para famílias e não servir de pasto e degradação do meio ambiente.

No final do ano passado na região Sul e Sudeste do Pará, mais de 20 áreas reivindicadas para a reforma agrária receberam reintegração de posse durante o período do natal e inúmeras pessoas ficaram desalojadas.

Judicialização

As famílias que retomaram o acampamento Hugo Chaves afirmam que continuarão na terra resistindo. A ação também faz parte da Jornada de lutas que ocorre em todo país por terra, em defesa da Reforma Agrária, que reivindica o assentamento imediato das mais de 150 mil famílias de sem-terra e contra a judicialização da política.

Durante o governo do presidente de facto, Michel Temer, nenhuma família foi assentada no ano de 2017 e os cortes no orçamento para na área chegaram a 80%. No Pará, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo Agropecuário de 2017, há 281 mil produtores rurais, mas a maior uso da terra é destinada somente para pastagem.

No entanto, é sabido também que mais de 70% da produção de alimentos no campo vem de pequenos produtores rurais, de famílias camponesas. E que o Estado do Pará continua campeão em mortes no campo.

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