Polícia prende casal suspeito de envolvimento na morte de Vitória Gabrielly em SP

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Publicado sexta-feira, 29 de junho de 2018 as 17:48, por: CdB

Aumento é apontada devido ao crescimento de denúncias, enraizamento da cultura do estupro e desestruturação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual

Por Redação, com agências de notícias – de São Paulo:

A polícia prendeu nessa sexta-feira em Mairinque, no interior de São Paulo, um casal suspeito de envolvimento na morte da menina Vitória Gabrielly. O casal é o mesmo que já havia sido ouvido três vezes pela polícia, eles negaram o crime. O terceiro suspeito foi indiciado por homicídio doloso.

Polícia de SP prende casal suspeito de envolvimento na morte de Vitória Gabrielly

O pedido de prisão temporária foi feito após a polícia identificar um carro que seria do homem detido no local do crime em imagens de câmeras de segurança. De acordo com a Polícia Civil, o novo suspeito já tinha passagens por roubo e tráfico de drogas. A mulher também havia sido presa por tráfico.

Segundo as investigações,  o motivo do crime seria vingança por dívida com o tráfico, mas a menina teria sido morta por engano. O pedreiro Júlio César Lima Ergesse, que está preso, teria ajudado o casal no assassinato de Vitória.

O suspeito contou à polícia que esteve com o casal em um carro preto junto com a estudante. O veículo, um Gol, foi periciado e nenhum indício foi encontrado.

A prisão do casal foi decretada depois de um novo depoimento prestado por Júlio César. Os dois foram levados para a delegacia da Polícia Civil em Mairinque, onde foram ouvidos e indiciados por homicídio doloso. Segundo um investigador, a dupla residia na cidade. A identidade dos suspeitos não foi divulgada.

A menina Vitória Gabrielly Guimarães  Vaz, de 12 anos, foi encontrada morta à beira de uma estrada rural em Araçariguama, no interior de São Paulo, no dia 16 deste mês . Ela estava desaparecida desde o último dia 8 de junho, quando saiu de casa para andar de patins. O brinquedo foi deixado ao lado do corpo.

Estupro

De um lado, especialistas apontam o machismo e o sexismo e o desmonte no serviço de atendimento às mulheres vítimas da violência sexual. De outro, autoridades defendem que o aumento de denúncias é o que justifica o crescimento, no estado de São Paulo dos casos de estupros, pelo oitavo mês consecutivo. Só em maio, a alta atingiu 10% a mais com relação a igual período do ano passado.

De acordo com balanço produzido pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram registrados em maio do ano passado 943 casos de ataques sexuais, mas em maio último o número foi de 1.036 denúncias. A alta é ainda maior na comparação anual: nos primeiros cinco meses de 2018 foram registrados 5.212 casos, ante 4.485 notificações em igual período de 2017.

– A gente vê na sociedade um aumento da violência, de posições bastante misóginas e discriminatórias em relação às mulheres. A gente tem parlamentares ameaçando de estupro em plena Câmara Federal. O que parece que é um crescimento da cultura do estupro – analisa Dulce Xavier, da Frente Regional do ABC de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

A especialista e feminista ainda alerta para o desmonte nos aparelhos de proteção às mulheres pelo Estado: “Muitos serviços têm dificuldade de oferecer o atendimento que está previsto na lei”. Segundo ela, o combate à cultura machista precisa desde o início ser viabilizado por meio da escola.

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