Polícia prende suspeitos pelo assassinato de Marielle Franco

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Publicado terça-feira, 12 de março de 2019 as 10:07, por: CdB

Polícia prende ex-PM que teria disparado os tiros que mataram a vereadora e o que teria dirigido o carro usado no crime. Detenções acontecem dois dias antes de o caso completar um ano.

Por Redação, com DW – do Rio de Janeiro

A polícia do Rio de Janeiro deteve, na madrugada desta terça-feira, dois suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. As detenções acontecem às vésperas de o assassinato completar um ano.

Polícia prende PM reformado e ex-PM por suspeita de assassinato de Marielle

Os detidos são o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. O primeiro teria disparado os tiros, do banco de trás do carro usado no crime; o segundo seria o motorista. Nesta manhã, os investigadores iniciaram a operação na casa de Lessa, no condomínio de Vivendas da Barra, Avenida Lúcio Costa, 3.100. Coincidentemente, o mesmo do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

Direito

A foto do sargento Queiroz, ao lado do presidente Bolsonaro, foi publicada no último dia 4 de outubro, pouco antes do primeiro turno das eleições. O miliciano fez campanha para o atual presidente
A foto do sargento Queiroz, ao lado do presidente Bolsonaro, foi publicada no último dia 4 de outubro, pouco antes do primeiro turno das eleições. O miliciano fez campanha para o atual presidente

De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses.

– É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia – diz a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio. “A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito.”

A investigação indica que Ronnie Lessa fez com regularidade pesquisas na Internet sobre os locais que a vereadora frequentava. Os investigadores sabem também que, desde outubro de 2017, o policial pesquisava também a vida do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Foram encontradas também buscas on-line sobre o então interventor na segurança pública do Rio, o general Braga Neto.

Segundo o jornal O Globo, Ronie Lessa foi preso em sua casa, no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O diário carioca diz que, segundo os investigadores, não foi constatada nenhuma ligação, a não ser o fato de serem vizinhos.

A operação que levou às duas prisões é a primeira com a participação do Ministério Público do Rio. Ela aconteceu por meio do Gaeco, grupo de combate ao crime organizado que investiga crimes principalmente relacionado às milícias no Rio.

Os investigadores ainda revelaram quem foi o mandante da execução. Após quase um ano de investigação, polícia e o Ministério Público do Rio decidiram dividir o inquérito em duas partes: uma sobre os executores do crime, outra sobre os mandantes.

Outra pergunta ainda em aberto é quem era o outro ocupante do carro usado no crime – os investigadores têm certeza de que havia três pessoas dentro do veículo no momento dos disparos naquele 14 de março.

Milícias

Marielle, de 38 anos, e Anderson, de 39, foram assassinados em 14 de março no bairro do Estácio, região central do Rio, quando saíam de um evento no qual a vereadora palestrava. O carro foi alvejado por vários disparos, dos quais quatro atingiram a cabeça dela.

As investigações sobre o crime, que levou multidões às ruas no mundo todo para manifestar solidariedade e cobrar explicações, correram durante todo o tempo sob sigilo, embora uma série de informações tenha sido revelada pela imprensa brasileira.

Além de defender os direitos das mulheres e a inclusão social, Marielle criticava também a violência policial e a ação de milícias. Seu assassinato causou comoção internacional, e organizações de defesa dos direitos humanos pressionavam para que respostas fossem apresentadas.

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