Policiais são baleados em protestos após Trump prometer acionar militares

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Publicado terça-feira, 2 de junho de 2020 as 10:56, por: CdB

Pelo menos cinco policiais norte-americanos foram baleados durante protestos violentos contra a morte de um homem negro sob custódia da polícia, disseram a polícia e a mídia, horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer convocar os militares para deter os tumultos.

Por Redação, com DW e Reuters – de Nova York

Pelo menos cinco policiais norte-americanos foram baleados durante protestos violentos contra a morte de um homem negro sob custódia da polícia, disseram a polícia e a mídia, horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometer convocar os militares para deter os tumultos.

Fogos de artifício são disparados atrás de policiais durante protesto em Mineápolis
Fogos de artifício são disparados atrás de policiais durante protesto em Mineápolis

Trump exasperou a revolta na segunda-feira ao posar diante de uma igreja segurando uma Bíblia depois de agentes da lei usarem gás lacrimogêneo e balas de borracha para abrir caminho para ele ir ao local depois de se pronunciar no Jardim Rosado da Casa Branca.

Manifestantes incendiaram uma rua comercial de Los Angeles, saquearam lojas na cidade de Nova York e se chocaram com a polícia em St Louis, no Missouri, onde quatro policiais foram hospitalizados com ferimentos não letais.

“Policiais ainda estão recebendo tiros no centro, e compartilharemos mais informações assim que ficarem disponíveis”, disse a polícia de St Louis no Twitter.

Las Vegas Strip

Um policial também foi baleado durante protestos na área da avenida Las Vegas Strip, relatou a agência de notícias AP citando a própria polícia. Outro agente se “envolveu em uma troca de tiros” na mesma área, disse a agência sem dar detalhes da troca de tiros ou da condição do agente. A polícia não quis falar à Reuters.

O governador de Nevada, Steve Sisolak, disse em um tuíte que seu escritório foi notificado sobre dois incidentes diferentes em Las Vegas. “O Estado está em contato com as forças da lei locais e continua a monitorar a situação”, disse.

Trump criticou o assassinato de George Floyd, afro-norte-americano de 46 anos que morreu depois que um policial o conteve apoiando um joelho em seu pescoço durante quase nove minutos em Mineápolis no dia 25 de maio, e prometeu justiça.

Mas como as marchas e as manifestações contra a brutalidade policial se tornaram violentas ao anoitecer em todos os dias da semana passada, ele disse que protestos legítimos não podem ser suplantados por uma “multidão raivosa”.

A violência

“Prefeitos e governadores precisam estabelecer uma presença contundente das forças da lei até a violência ser contida. Se uma cidade ou Estado se recusar a adotar as ações que são necessárias para defender a vida e a propriedade de seus moradores, mobilizarei os militares dos Estados Unidos e resolverei o problema para eles rapidamente.”

Uma segunda autópsia solicitada pela família de Floyd e divulgada na segunda-feira revelou que sua morte foi um homicídio causado por “asfixia mecânica”, ou força física que interferiu com seu suprimento de oxigênio, e diz que três policiais contribuíram para sua morte.

Exames de autópsia

Exames de autópsia confirmaram na segunda-feira que a morte de George Floyd, homem negro que morreu após uma ação policial em Minneapolis, nos EUA, foi, de fato, homicídio por asfixia. Entretanto, as análises oficiais e os exames independentes trazem versões diferentes sobre as causas da morte.

Floyd, de 46 anos, foi detido pela polícia e imobilizado na rua por um policial, que pressionou seu pescoço com o joelho durante vários minutos, apesar de a vítima afirmar várias vezes que não conseguia respirar. Sua morte gerou uma onda de protestos em várias cidades do país, que, em alguns casos, foram marcados por distúrbios nas ruas e confrontos violentos entre manifestantes e policiais.

Um boletim divulgado por autoridades médicas do Condado de Hennepin, que conduziram a autópsia oficial, confirma a conclusão de morte após homicídio divulgada também por uma autópsia independente, mas ambas divergem em relação aos fatores que teriam provocado a morte de Floyd.

“A vítima sofreu parada cardiorrespiratória agravada por compressão do pescoço enquanto era imobilizada pelo agente da lei”, afirma o documento. O exame contraria a autópsia inicial apresentada por autoridades de Minneapolis, que afirmou não haver sinais de estrangulamento.

Como “outras condições significantes”, que possivelmente teriam contribuído para a morte, o exame aponta que Floyd teria feito uso recente de metanfetamina e teria sofrido intoxicação pelo opioide fentanil, além de sofrer de hipertensão e problemas cardíacos.

No entanto, dois médicos que realizaram exames independentes e dois advogados da família de Floyd disseram que ele não tinha problemas de saúde preexistentes que pudessem ter contribuído para sua morte, além de não terem informações sobre abuso de drogas ou álcool por parte da vítima.

Allecia Wilson, da Universidade do Michigan, uma das médicas que realizaram as autópsias independentes, disse que evidências apontam para “asfixia mecânica” como causa da morte, o que significa que algum tipo de força física interferiu com o suprimento de oxigênio da vítima.

Cerca de nove minutos

Imagens registradas por pessoas no local mostram não apenas que o policial Derek Chauvin imobilizou Floyd durante cerca de nove minutos, mas que outros dois policiais pressionavam as costas da vítima com os joelhos. O médico Michael Baden, que participou da autópsia independente a pedido da família, afirmou que a ação dos outros policias também impediram Floyd de respirar.

– Podemos ver que, depois de pouco menos de quatro minutos, o Sr. Floyd está sem se movimentar, sem vida – afirmou, ressaltando que a vítima não tinha problemas de saúde anteriores que pudessem ter contribuído para sua morte.

Chauvin foi demitido da polícia e detido na semana passada, acusado de assassinato em terceiro grau e homicídio culposo. Os advogados da família, Antonio Romanucci e Ben Crump, afirmaram que os outros três policiais que participaram da ação juntamente com Chauvin também deveriam ser acusados.

Crump ressaltou que a autópsia independente e as imagens de vídeo deixam claro que Floyd estava morto quando estava deitado no chão, com os policiais sobre seu corpo. “A ambulância foi seu carro fúnebre”, afirmou.

 

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