Policiais desocupam batalhões e parte dos veículos da PM volta às ruas, no Ceará

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Publicado segunda-feira, 2 de março de 2020 as 12:16, por: CdB

Após 13 dias de paralisação, grupo amotinado em batalhão em Fortaleza vota por terminar greve e aceitar a proposta feita por uma comissão especial. Acordo prevê que PMs retornem ao trabalho nesta segunda-feira.

Por Redação, com agências de notícias – de Brasília

Policiais militares que estavam amotinados durante a greve da PM desocuparam os batalhões de Fortaleza e do interior do Ceará nesta segunda-feira, após o fim do motim da categoria que durou 13 dias.

Grupo amotinado no 18° Batalhão da Polícia Militar de Fortaleza votou pelo fim da greve
Grupo amotinado no 18° Batalhão da Polícia Militar de Fortaleza votou pelo fim da greve

No entanto, até as 10h15 desta segunda, os carros da polícia que foram danificados e tiveram os pneus esvaziados permaneciam no 18º Batalhão da PM, no Bairro Antônio Bezerra, na capital.

PMs decidiram na noite deste domingo encerrar o motim no Ceará, iniciado 13 dias antes e que resultou em aumento de criminalidade no estado. O grupo que estava amotinado no 18º Batalhão da PM, em Fortaleza, votou pelo término da greve e a aceitação da proposta feita pela comissão especial formada por Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A anistia para os envolvidos na greve, principal reivindicação dos militares, não integra o acordo, que define que os policiais devem retornar ao trabalho nesta segunda-feira.

Para impedir perseguição contra os que integraram a manifestação e lhes garantir amplo direito de defesa, a proposta prevê que os processos disciplinares contra os participantes do motim serão acompanhados por uma comissão externa formada por representantes da OAB, Defensoria Pública e do Ministério Público.

Sem citar detalhes, o Governo do Estado afirmou que iria rever todos esses processos, após o fim do motim. Foi afirmado também que não haveria “perseguição” aos agentes de segurança que participaram da mobilização da categoria.

O governo também se compromete a não transferir os policiais para o interior nos próximos meses. O acordo inclui ainda a garantia de investimento de R$ 495 milhões no salário de policiais até 2022.

Na última terça-feira, chegou a 200 o número de pessoas assassinadas no Ceará desde o início do motim. A Secretaria de Segurança Pública do Estado suspendeu a divulgação das estatísticas devido à repercussão negativa.

Os policiais protestavam contra a proposta apresentada pelo governo de Camilo Santana (PT) que aumenta o salário dos soldados de R$ 3.475 para R$ 4,5 mil, escalonado em três vezes até 2022. O movimento reivindicou o reajuste total imediato e um plano de carreira.

O auge da tensão provocada pelo motim dos PMs no Ceará ocorreu quando o senador licenciado Cid Gomes (PDT) foi atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar entrar, com uma retroescavadeira, num batalhão da PM ocupado pelos amotinados.

Tensão provocada pelo motim

A Constituição proíbe greves de policiais militares, restrição confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017. Ainda assim, há diversos casos registrados de paralisações de agentes nos últimos anos no país, em geral seguidos de picos de violência.

Na tentativa de controlar os policiais amotinados e garantir a segurança pública no estado, o ministro da Justiça, Sergio Moro, autorizou o envio da Força Nacional de Segurança, e o presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para Garantia da Lei e da Ordem no estado.

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