Política de Guedes é do ‘tempo das cavernas’, critica Gonzaga Belluzzo

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Publicado sexta-feira, 17 de setembro de 2021 as 16:14, por: CdB

“Não há como sustentar sem uma economia mais complexa, que significa uma economia industrial. Quando eu falo industrial, não estou me referindo a (apenas) um conjunto de fábricas, mas uma série de atividades interconectadas que se distinguem pela forma de produzir”, afirmou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Embora não vislumbre, ao menos neste momento, quaisquer mudanças significativas de cenário até 2022, o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que a tarefa de “reconstrução” do país “é muito mais política do que de engenharia econômica”. Trata-se, segundo ele, de construir e reforçar os fundamentos da democracia. “Com paciência e persistência”, anota o catedrático, lembrando ainda de Ulysses Guimarães.

— Não só a eleição do presidente, a eleição do Congresso é fundamental — acrescentou, quase ao final de evento promovido na noite passada pelo escritório Crivelli de advocacia.

Belluzzo fez menção ao nome do ex-presidente Lula, a quem chamou duas vezes de “meu amigo Luiz Inácio”. Contou ter conversado ainda ontem com o petista. E criticou a “demonização” em torno de seu nome.

— Conheço o Lula desde 1970, ainda no regime militar, eu ia lá em São Bernardo fazer palestra para os trabalhadores. Ele é o homem da negociação. Querer transformá-lo num radical é uma coisa ridícula, só no Brasil mesmo — sublinhou.

Agronegócio

Segundo Belluzzo, frente ao desafio de reconstrução, o país precisa de um projeto de industrialização, de uma relação “mais sistemática” entre os setores privado e público.

— Temos um atraso no nosso sistema de transporte ferroviário. Nossa malha ferroviária encolheu — acrescentou

Embora reconheça a relevância do agronegócio, Belluzzo afirmou que a exportação de commodities não é capaz de sustentar um país urbanizado como o Brasil. Segundo ele, a agricultura tem “efeito sistêmico modesto” em relação ao emprego, por exemplo.

— Não há como sustentar sem uma economia mais complexa, que significa uma economia industrial. Quando eu falo industrial, não estou me referindo a (apenas) um conjunto de fábricas, mas uma série de atividades interconectadas que se distinguem pela forma de produzir — frisou.

E é preciso planejamento.

— ´Não há nenhuma possibilidade de reindustrializar o Brasil sem que você dê força ao setor de ciência e tecnologia. Pesquisa e desenvolvimento supõe continuidade — ressaltou.

Tosco

O também ex-ministro fez críticas ao modelo dos chamados Chicago boys, incluindo Joaquim Levy, chefe da Economia no segundo governo Dilma, e suas política de “ajustes”.

— A ideia deles é como se a política econômica fosse uma espécie de alfaiataria — definiu.

Mas a crítica principal foi ao atual governo.

— Esse liberalismo deles é das cavernas. É inacreditavelmente tosco — criticou.

E sobrou reprovação ao atual titular da Economia.

— Eu não diria que o Paulo Guedes é um dos economistas mais bem formados para tratar… Pode ser até conservador, conheci muitos, mas não tem essa capacidade de gestão… A situação é mais grave ainda porque não vejo no governo capacidade de construir uma alternativa — condenou.

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