Política de segurança do Facebook acerta mais do que erra ao redor do mundo

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Publicado sábado, 28 de julho de 2018 as 14:50, por: CdB

Embora a soma dos acertos supere a dos erros, estes repercutem mais diretamente no bolso dos investidores.

 

Por Redação, com agências internacionais – de São Paulo e Flandres, Bélgica

Após a pressão internacional pela proteção de dados pessoais dos assinantes nas redes de comunicação, o Facebook (FB) — que vendeu informações sensíveis para uma empresa londrina de marketing político — elevou ao máximo sua política de censura. O resultado foi uma queda acentuada nas ações da companhia de Mark Zukerberg, o engenheiro de Tecnologia da Informação (TI) que criou o mecanismo de interação social.

O Facebook censura a nudez, ainda que artiística
O Facebook censura a nudez, ainda que artiística

Embora a soma dos acertos supere a dos erros, estes repercutem mais diretamente no bolso dos investidores. Algumas medidas, no entanto, precisariam ocorrer, após a exposição pública de mais de 70 milhões de usuários. Uma síntese dos erros cometidos pela equipe de Zuckerberg foi exibido, em um vídeo bem humorado, no próprio FB.

O governo belga patrocinou uma mensagem ao Facebook, que resolveu retirar uma pintura de sua plataforma porque Jesus estava quase despido. A empresa bloqueia postes com nudez. As autoridades belgas de turismo dizem que seus anúncios continuam a sumir quando mostram obras clássicas.

Em resposta a isso, criaram um vídeo e também publicaram uma carta aberta para o Facebook. O Facebook reagiu, de imediato. A Secretaria de Turismo de Flandres informou que vai se encontrar com representantes da empresa em breve, para solucionar o impasse. Assista ao vídeo.

Senso de ridículo

Um de seus maiores acertos, no entanto, supera o inconveniente sofrido pela área de Cultura da Bélgica que, acreditam as autoridades, será resolvida a termo. Nesta semana, o FB removeu 196 páginas e 87 perfis políticos, cujos títulos e nomes não foram divulgados publicamente. Trata-se de um conteúdo de ódio e mentiras que transitavam, impunemente, pelas páginas do aplicativo.

Muitas dessas páginas eram ligadas ao Movimento Brasil Livre (MBL). De acordo com a rede social de Mark Zuckerberg, os motivos para a remoção fazem parte de seus esforços de “evitar abusos”. Além disso, a companhia afirma que só tomou essa decisão após uma “rigorosa investigação”:

“Nós estamos agindo apenas sobre as páginas e os perfis que violaram diretamente nossas políticas, mas continuaremos alertas para este e outros tipos de abuso, e removeremos quaisquer conteúdos adicionais que forem identificados por ferir as regras”, explicou Nathaniel Gleicher, líder de Cibersegurança do Facebook, em comunicado oficial emitindo na véspera.

Sem resposta

Aparentemente, as páginas e perfis removidos eram “parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Após o ocorrido, o MBL respondeu à decisão com uma campanha em várias redes sociais.

Sem perceber o ridículo em que incorrem os militantes neofascistas consideraram a medida saneadora da rede social como um ataque direto do Facebook, uma censura ao direito de mentir, sem o menor pudor e a destilar ódio em cada publicação. A cúpula do movimento passou, então, a estudar maneiras de responder ao ato, considerando até mesmo ações judiciais e manifestações.

O Procurador da República Ailton Benedito, inclusive, demandou que a rede social fornecesse, em até 48 horas, uma lista com os nomes das páginas e perfis removidos. Ficou sem resposta, até o fechamento dessa matéria.

‘Cruzada’

Em entrevista à agência britânica de notícias BBC, o procurador disse ter feito a requisição para obter dados a serem usados em outra investigação, em andamento. O resultado, diz ele, deverá definir se o Facebook está “impondo censura de natureza discriminatória ao usuário brasileiro”. Os advogados da rede social, no entanto, ainda elaboram uma resposta ao procurador.

Diante da falta de espaço para disseminar o conteúdo agressivo e mentiroso, o MBL decidiu que, como medida de segurança, os coordenadores nacionais do grupo agora passarão a usar o Telegram ao invés do WhatsApp – um outra empresa de Zukerberg. De origem russa, o aplicativo mostra-se mais seguro para trocas de mensagens cifradas.

A repercussão dos fatos, contudo, mostra a situação esdrúxula em que o movimento alimentado por recursos da extrema direita norte-americana encontra-se, no momento. No Twitter, o senador Humberto Costa (PT-PE) comentou que o MBL “foi pego pelo Facebook por manter uma rede de páginas e contas falsas com a finalidade de propagar mentiras”. Já Pedro D’Eyrot, um dos coordenadores do movimento, respondeu ao senador alegando que a rede social de Zuckerberg está “promovendo uma cruzada”.

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