Bolsonaro irrita Pompeo após recuar na promessa de base militar aos EUA

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2019 as 14:43, por: CdB

Nos EUA, Bolsonaro foi criticado no gabinete do secretário de Estado, Mike Pompeo, que teria se enfurecido com o direitista aliado.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Washington

 

O retrocesso do presidente Jair Bolsonaro (PSL) quanto à cessão de uma área no território nacional para instalação de uma base militar norte-americana, possivelmente no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), fronteira com a Venezuela, tem levado ao descrédito o novo regime, justamente onde ele busca estabelecer um apoio decisivo à sua subsistência.

Coube ao general Fernando Azevedo e Silva a tarefa de desmentir a notícia de que o Brasil cederia espaço para uma base militar aos EUA
Coube ao general Fernando Azevedo e Silva a tarefa de desmentir a notícia de que o Brasil cederia espaço para uma base militar aos EUA

Nos EUA, Bolsonaro foi criticado no gabinete do secretário de Estado, Mike Pompeo, que teria se enfurecido com o direitista aliado, algumas horas após gastar um elogio à decisão do mandatário sul-americano de se submeter à superioridade militar norte-americana. Segundo jornalistas que cobrem a Casa Branca, o retrocesso de Bolsonaro reflete “a falta se seriedade do novo governo”, comentou um dos correspondentes.

Fora do pacto

“As mensagens diametralmente opostas e o aparente retrocesso sobre a possível base norte- americana destacam a fragilidade do gabinete de Bolsonaro, composto por ex-generais estatistas; nacionalistas de direita, economistas treinados em Chicago e conservadores cristãos; todos com diferentes prioridades.

“O plano de se oferecer para hospedar uma base parece ter sido abandonado devido à oposição das forças armadas, que vêem uma presença estrangeira como uma transgressão da soberania nacional”, repercutiu a agência norte-americana Voice of America (VOA), em linha com os comentários ouvidos no gabinete de Pompeo. Coube ao general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, desmentir o capitão da reserva, hoje no comando das Forças Armadas.

Em outra tentativa de agradar à administração de Donald Trump, Bolsonaro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, comunicou na noite passada que o Brasil está fora do Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Brasil soberano

O Itamaraty enviou telegrama aos diplomatas brasileiros em que solicita que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o diretor-geral da Organização Internacional de Migração, António Vitorino, sejam comunicados da decisão e também de que o país não deverá participar de qualquer atividade relacionada com o pacto ou sua implementação.

O próprio presidente confirmou a revogação da adesão do país ao documento, por meio do Twitter, na madrugada de hoje. “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes”, disse o presidente. “Não ao pacto migratório”, acrescentou, em sua conta no Twitter.

Em seguida, Bolsonaro justificou a decisão afirmando que os migrantes que entrarem no país a partir de agora deverão se enquadrar ao pensamento de extrema-direita de seu governo.

Bravata

“Quem porventura vier para cá deverá estar sujeito às nossas leis, regras e costumes, bem como deverá cantar nosso hino e respeitar nossa cultura. Não é qualquer um que entra em nossa casa, nem será qualquer um que entrará no Brasil via pacto adotado por terceiros”, diz Bolsonaro, em tom de bravata.

O Pacto Global para Migração, que tem sido alvo recorrente da equipe governamental, começou a ser discutido em 2017 e estabeleceu diretrizes para o acolhimento de imigrantes. Os países signatários, entre eles o Brasil, se comprometeram a dar uma resposta coordenada aos fluxos migratórios, a colaborar para que a garantia de direitos humanos não seja atrelada a nacionalidades, e a adotar restrições à imigração somente como último recurso.

O acordo global foi celebrado em 10 de dezembro de 2018. Nove dias depois, a Assembleia Geral da ONU se posicionaria favoravelmente aos seus termos por ampla maioria: 152 foram favoráveis ao endosso da instância, 24 não se posicionaram, 12 se abstiveram e cinco foram contrários.

O último bloco foi formado por Estados Unidos, Hungria, Israel, República Tcheca e Polônia, todos países governados por conservadores. Antes mesmo da posse, Ernesto Araújo, agora chanceler, afirmou que o Brasil deixaria o Pacto sob o novo governo.

Promessa

Este foi mais um caso em que, já empossado, Bolsonaro prometeu ao secretário Pompeo que mudaria o posicionamento do país em relação ao tema. O enfraquecimento simbólico do Pacto interessa ao governo de Donald Trump, que tem como uma das propostas a construção de um muro na fronteira com o México.

Estima-se que 258 milhões de pessoas vivam atualmente em um país diferente do seu país de nascimento – um aumento de 49% desde 2000 –, de acordo com números divulgados pelas Nações Unidas no mês passado. Ainda é possível, também, que Bolsonaro mude de ideia, uma vez que o número de brasileiros na condição de imigrante é muito superior ao volume de pedidos para o ingresso no país.

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