Por que Temer está rindo de todos?

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Publicado sábado, 24 de fevereiro de 2018 as 16:33, por: CdB

A extrema polarização política produzida pelo Golpe de 2016 só deixou de pé duas narrativas eleitorais: a do resgate dos direitos dos trabalhadores, representada por Lula e a do combate à violência por meio da intervenção militar, no decreto de Temer, já ocupada por Bolsonaro.

 

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

 

Editorial do Globo de ontem desanca o pau nas pretensões eleitorais de Temer com a intervenção militar. Vejam: “O presidente Temer faz má e arriscada aposta se espera que a intervenção federal no Rio possa alavancar a sua hipotética intenção de permanecer no Planalto”.

Temer criou a intervenção militar para alavancar sua candidatura, por mais que negue isso

No ano passado a Rede Globo tentou, com a ajuda de “seu” Procurador Geral, Janot, tirar Temer duas vezes do governo e não conseguiu. Agora, que Temer tem a “sua” própria Procuradora Geral, essa via se tornou impossível.

Apesar disso, a Globo se aliou a Temer para ganhar o apoio da opinião pública a essa verdadeira aventura militar no Rio. No fundo, pensa igual a Temer, mas com um final diferente. Os Marinhos querem canalizar a apoio da população à intervenção para um seu “hipotético” candidato a presidente. Só que, gostando ou não, esse “hipotético” candidato já existe.

Política real

Na realidade, Temer criou a intervenção militar para alavancar a sua candidatura, o resto é consequência. Caso o seu nome cresça nas pesquisas a Globo não teria outra saída senão engoli-lo, não como um “sapo barbudo”, mas como uma cobra venenosa.

A extrema polarização política produzida pelo Golpe de 2016 só deixou de pé duas narrativas eleitorais. A do resgate dos direitos dos trabalhadores, representada por Lula. E a do combate à violência por meio da intervenção militar, já ocupada por Bolsonaro. Qualquer alternativa a estas duas, especialmente aquelas oriundas da defesa do mercado; do neoliberalismo econômico, da austeridade fiscal ou do Estado mínimo; como são as de Meirelles e de Alckmin, vão semear no deserto.

A tentativa de Dória de ser um Bolsonaro de “salão” já deu chabu há muito tempo. E, agora, ele se encarrega de ser uma bola de ferro presa à candidatura de Alckmin. O devaneio meio-gagá de FHC, ao defender o dono da Riachuelo como alternativa, mostra que ele não está conseguindo se conectar com a política real.

Bolsonaro

Assim, para valer, sobram apenas dois nomes. Bolsonaro e Lula. Este último atuando como fator direto ou indireto, se não puder ser candidato. Aí onde Temer entra, tentando desbancar Bolsonaro ao fazer agora, com a intervenção militar, o que o “mito” promete fazer se ganhar a eleição.

É esse uso político da intervenção militar e sua finalidade eleitoral para Temer que o PT precisa denunciar mais claramente. Bolsonaro já reagiu a isso atacando Temer. A própria Globo acaba de fazer o mesmo. Em suas primeiras declarações sobre a intervenção, Lula deixou bem claro o oportunismo eleitoral de Temer, ao dizer que “a intervenção no Rio foi para roubar os eleitores de Bolsonaro”.

Toda luta de classes é uma luta política, como já dizia o velho Marx; mas a luta política é conduzida por partidos, líderes-partidos ou mídia-partidos e concretizadas por indivíduos. Sem revelar essa conexão da classe com o ator ou atores políticos que protagonizam a luta política, não faremos a identificação concreta do inimigo de classe; nem ajudaremos na formação da consciência politica de quem luta pela democracia.

Discutir em tese é coisa para Academia. Nós discutimos é no interior das trincheiras e no calor da batalha.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.