Preços sobem enquanto desaba a confiança do consumidor brasileiro

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Publicado quinta-feira, 1 de outubro de 2020 as 19:35, por: CdB

O grupo Alimentação também se destacou na leitura de setembro, registrando avanço de 1,81%, acelerando a alta ante a taxa de 0,81% apresentada no mês anterior. O destaque do mês foi o comportamento do arroz e feijão — dois alimentos básicos —, que registraram alta de 10,92%. Com esse resultado o IPC-S acumula alta de 2,42% no ano e 3,62% nos últimos 12 meses.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a alta a 0,82% em setembro, ante 0,53% em agosto, refletindo ganhos acentuados nos setores de alimentação e recreação, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados nesta quinta-feira. Diante dos fatos, o desânimo se agrava para a maioria dos brasileiros.

Desemprego eleva inadimplência e afeta o consumo
Desemprego eleva inadimplência e afeta o consumo, principalmente, de alimentos

Em setembro, o grupo Educação, Leitura e Recreação registrou salto de 3,19%, após ganho de apenas 0,05 em agosto, impulsionado principalmente por uma alta de 39,62% nos preços das passagens aéreas.

O grupo Alimentação também se destacou na leitura de setembro, registrando avanço de 1,81%, acelerando a alta ante a taxa de 0,81% apresentada no mês anterior. O destaque do mês foi o comportamento do arroz e feijão — dois alimentos básicos do cotidiano brasileiro —, que registraram alta de 10,92%. Com esse resultado o IPC-S acumula alta de 2,42% no ano e 3,62% nos últimos 12 meses.

Confiança

O consumidor brasileiro, que amarga uma das piores crises econômicas desde o século passado, continua sem confiança, muito também devido aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) de setembro de 2020 ficou em 42,8 pontos, 3,3 pontos abaixo da média histórica (46,1 pontos) e 4,5 pontos abaixo do último resultado disponível, de dezembro de 2019.

No indicador, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta manhã, o índice varia de zero a 100. Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do consumidor. Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

Segundo a CNI, a queda do Inec da pesquisa de setembro deste ano, na comparação com dezembro de 2019, é comum a todos os perfis de consumidor considerados na pesquisa. As maiores quedas foram dos consumidores com renda familiar maior do que cinco salários mínimos (-7,4 pontos), com ensino superior (-6,8 pontos), com idade de 25 a 34 anos (-5,5 pontos) e que moram em capitais (-5,3 pontos).

Inflação

Entretanto, os menores índices de confiança são registrados entre a população de renda familiar até um salário mínimo (Inec de 40,4 pontos), entre os consumidores que residem nas capitais (41,1 pontos), os com ensino superior (41,4 pontos) e os que residem na Região Sudeste (41,6 pontos).

Segundo a CNI, a falta de confiança do consumidor é explicada pela piora das expectativas em relação à evolução futura dos preços, do desemprego e da renda. Além disso, houve piora nas condições financeiras. O índice de expectativa de inflação “mostra piora significativa das perspectivas dos preços para os consumidores”. O indicar chegou a 71,4 pontos, com cinco altas seguidas.

“A despeito da baixa inflação da economia como um todo, possivelmente o aumento de preços em produtos específicos, sensíveis para o consumidor, está afetando a percepção do seu poder de compra e contaminando as expectativas”, disse a CNI, em nota.

Consumo

O índice de expectativas de desemprego subiu de 56,4, em dezembro, para os atuais 65,1 pontos, enquanto o de expectativas para a própria renda de 50 para 44,5 pontos.

Já o índice de compras de bens de maior valor registrou 53,4 pontos, 1 ponto acima do verificado em dezembro de 2019. Para a CNI, o “resultado reflete o início de período mais favorável para o consumo desses bens e as medidas do governo de transferência de renda”, diz a CNI.

Valores acima de 50 pontos indicam expectativa de alta da inflação, desemprego, própria renda ou gastos com compras de bens de maior valor. Quanto mais acima de 50 pontos, maior e mais disseminada é a expectativa de crescimento.

O índice de situação financeira chegou a 54,4 pontos, depois de registrar 48,9 pontos em dezembro. Já o índice de endividamento ficou em 50,7 pontos, contra 49,6 pontos em dezembro de 2019. Valores abaixo de 50 pontos indicam alta do endividamento ou melhora da situação financeira. A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência, que ouviu 2 mil pessoas em 127 municípios. O período de coleta foi de  17 a 20 de setembro de 2020.