Prédios são incendiados e bandos armados atuam em Lagos

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Publicado sexta-feira, 23 de outubro de 2020 as 11:41, por: CdB

Bandos armados com facas e porretes bloquearam vias principais de Lagos nesta sexta-feira, com muitos furiosos com o discurso do presidente da Nigéria no qual ele apelou por calma, mas não condenou o assassinato de manifestantes que pediam o fim da brutalidade policial.

Por Redação, com Reuters – de Lagos

Bandos armados com facas e porretes bloquearam vias principais de Lagos nesta sexta-feira, com muitos furiosos com o discurso do presidente da Nigéria no qual ele apelou por calma, mas não condenou o assassinato de manifestantes que pediam o fim da brutalidade policial.

Homens armados sao visto próximos de pneus em chamas em rua de Lagos
Homens armados sao visto próximos de pneus em chamas em rua de Lagos

Os tumultos representam os piores episódios de violência nas ruas desde que a Nigéria voltou ao comando civil em 1999 e a mais grave crise política enfrentada pelo presidente Muhamadu Buhari, um ex-líder militar que chegou ao poder em 2015.

Uma rodovia que leva para o aeroporto internacional foi obstruída por barricadas montadas por grupos de homens jovens que reivindicaram dinheiro de motoristas. Ônibus cujos motoristas se recusaram a pagar foram destruídos, de acordo com uma testemunha da agência inglesa de notícias Reuters.

No leste de Lagos, homens armados perseguiram policiais e várias delegacias foram completamente queimadas. Postos de combustíveis foram fechados e caixas eletrônicos não funcionavam em partes do país.

A violência na cidade

A violência na cidade, centro comercial da Nigéria de 20 milhões de habitantes, escalou desde a noite de terça-feira, quando um toque de recolher foi anunciado.

A Anistia Internacional disse que soldados e policiais mataram pelo menos 12 manifestantes em Lekki e Alausa, dois distritos de Lagos, na terça-feira. Na quinta, Anistia, Human Rights Watch e 40 outros grupos pediram “uma investigação ampla e imediata” sobre o incidente.

O Exército do país negou que soldados estivessem no local do tiroteio em Lekki, onde pessoas se reuniriam desafiando o toque de recolher.

Protestos

Em um pronunciamento à nação no final da quinta-feira, Buhari fez um apelo para que jovens “descontinuem seus protestos nas ruas e se envolvam construtivamente com o governo na busca por soluções”.

Foi a primeira declaração pública dele desde o início dos tiroteios. Embora ele tenha lamentado as perdas de vidas inocentes, ele não se referiu diretamente ao incidente em Lekki. Muitos manifestantes nas ruas disseram ter ficado furiosos com o pronunciamento de Buhari, porque ele não mencionou o episódio em Lekki.