Presidente do BC avalia o papel dos bancos após covid-19, em nível mundial

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Publicado quarta-feira, 8 de abril de 2020 as 16:20, por: CdB

Campos Neto fez um apelo para que essa grande crise seja transformada em oportunidade de avançar com as reformas, mas ressaltou ser óbvio que o momento agora é de lidar com as medidas emergenciais.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Presidente do Banco Central, o economista Roberto Campos Neto afirmou, nesta quarta-feira, que a atual crise por conta do coronavírus tende a gerar entendimentos diferentes sobre o papel dos bancos e seu capital.

— Não tem como apertar mais capital, acho que isso é coisa que vai mudar — afirmou, em videoconferência com executivos do banco Credit Suisse.

Campos Neto
Presidente do Banco Central, o economista Campos Neto prevê mudanças na forma como são vistos os ativos bancários, após a crise do novo coronavírus

Campos Neto fez um apelo para que essa grande crise seja transformada em oportunidade de avançar com as reformas, mas ressaltou ser óbvio que o momento agora é de lidar com as medidas emergenciais.

Coronavírus

Ainda nesta manhã, o executivo afirmou que a crise do coronavírus deve deixar o mundo em situação geopolítica “bastante diferente” do que havia no passado, o que pode causar preocupação em mercados emergentes. Campos Neto ressaltou que a cadeia global de valor já vinha sendo desafiada mesmo antes da pandemia, o que deve ganhar força daqui para frente.

— Primeira (implicação) é distanciamento maior do mundo desenvolvido para os países emergentes porque os países emergentes estão muito inseridos nessas cadeias globais de valor — disse ele, pontuando que nos últimos anos grande parte do crescimento dos emergentes foi guiado por especialização e inserção nas cadeias globais de valor.

Ainda segundo o presidente do BC, a segunda implicação “é que se você tiver país desenvolvido tendo que voltar a produzir bens onde já ele não tinha vantagem comparativa, provavelmente a gente está numa situação de um crescimento estrutural mundial mais baixo por um tempo maior”.

Desafios

O economista disse, ainda, haver consenso de que, se essa crise perdurar um pouco mais, grande parte dos países vai convergir para estímulo fiscal de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é alto.

— A gente tem que ver como é que isso vai acontecer — advertiu.

Diante dos desafios surgidos com a crise do covid-19, a autoridade monetária brasileira disse que está preparada para atuar a qualquer momento, muito mais forte em suas intervenções cambiais, caso considere que isso seja necessário. Campos Neto frisou, ainda, que o câmbio é flutuante e que o BC entende que as intervenções têm sido feitas de forma apropriada até o momento.

Mas ressaltou que o país tem reservas internacionais expressivas, geradas no governo petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e poderão ser usadas.

— Estamos preparados, as reservas são grandes. Temos atuado e podemos, a qualquer momento, atuar muito mais forte do que até então — concluiu.

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