Presidente da Fundação Palmares agradece realeza e despreza Zumbi

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Publicado quarta-feira, 13 de maio de 2020 as 14:50, por: CdB

O discurso de Camargo é uma clara provocação aos movimentos negros, que criticam a comemoração do 13 de maio por não a considerar um marco da libertação e preferir comemorá-la em 20 de novembro, data da morte de Zumbi e Dia da Consciência Negra.

Por Redação, com agências de notícias – de Brasília

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, usou a data de 13 de maio, dia da proclamação da Lei Áurea, para prestar homenagem à princesa Isabel e também “revelar a verdade” sobre Zumbi no site da instituição. Ele prometeu conteúdo sobre os dois nesta quarta-feira.

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo
O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo

O discurso de Camargo é uma clara provocação aos movimentos negros, que criticam a comemoração do 13 de maio por não a considerar um marco da libertação e preferir comemorá-la em 20 de novembro, data da morte de Zumbi e Dia da Consciência Negra.

Segundo Douglas Belchior, historiador e membro da Uneafro Brasil, “o 13 de maio como dia da libertação é uma mentira cívica, como dizia Abdias do Nascimento, e conta com o cinismo escravocrata que é a marca da elite brasileira”.

O movimento negro

– O movimento negro desconstrói essas ideias do dia da libertação e da princesa Isabel como libertadora e redentora. Não ignoramos o 13 de maio. Nós o reivindicamos como um dia para refletirmos sobre a mentira construída, sobre a abolição inacabada. A população negra continua estruturalmente no mesmo lugar em que estava no dia seguinte à abolição – completa.

O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP), descendente da princesa Isabel, apoia a iniciativa de Camargo e diz que é bem-vinda, independentemente de qualquer viés ideológico.

– Recontam a história de maneira fantasiosa e deturpada. Zumbi dos Palmares era escravagista. Não era como explorador, grande fazendeiro. Mas que ele tinha escravos, tinha. E que tinha vida conturbada no seu contexto tribal, tinha – diz.